nu project in da’house

Julho 27, 2015 — 6 comentários

finally consigo partilhar: fiz uma sessão com o Matt!!
conheci o Matt Blum uns meses depois de ter apresentado o meu projecto de fotografia de nus no âmbito de um encontro internacional de criativos. fui investigar o que andava a acontecer e o The Nu Project, pela simplicidade e naturalidade que de imediato ressoou comigo, ajudou-me a alargar o âmbito do meu: [ descobrindo-nus ] – que segue um próprio e muito íntimo ritmo de crescimento. partilhamos uma missão: a de celebrar a beleza da naturalidade. cada um com a sua linguagem e ferramentas: o Matt procura acordar a beleza em qualquer momento, eu procuro encontrar a beleza de qualquer momento.

o acto de expor perante o outro a cerimónia de me despir para mim, permite-me valorizar o palco criado para sentir na pele a importância da vulnerabilidade, e a pertinência de ter de um espelho-eco que posso revisitar.
acredito que as nossas paixões vão de mãos dadas com as nossas questões mais profundas – com os chamados dragões que vimos aprender a domar, os maiores medos ou fragilidades. já escrevi imenso sobre desnudar-me, já perdi ou desfiz-me de muitos dos textos, e encontro sempre no corpo o fio de toda a minha história – do que necessito recordar e do que já foi tempo para esquecer.
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Screen Shot 2015-07-08 at 22.07.31
desta sessão recordo especialmente as imensas lágrimas que encontraram momento para me inundar, expressando uma tristeza magnética que tardou a abandonar-me. a minha vulnerabilidade espantou-o, fazendo-o questionar a sua própria tristeza e como a cultura americana (de onde ele nasce) condiciona a sua expressão.
se me sentia um trapo de que me adiantava fingir que me sentia radiosa – por mais que ele me convidasse a sorrir, a brilhar, a camuflar? chorei. e não quero pause nenhum. podes fotografar assim mesmo: inchada de chorar. não gosto de me ver assim, mas é parte de quem sou e parte de por onde tenho que passar…
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pouco depois eram gargalhadas soltas que partilhávamos no espanto e prazer de poder conduzir o meu corpo a posturas inusitadas, empinadas, viradas do avesso.

das sessões pelas quais passei enquanto modelo, guardo um mesmo sentir de empoderamento, de liberdade, de pacificação com a minha matéria. e sorrio cúmplice ao recordar semelhanças nos feedbacks de quem tenho tido o previlégio de fotografar.

já que tudo é passageiro, já que ora nos sentimos belos ora monstros, multiplicarmos as oportunidades de recordar que somos perfeitos parece-me sábio. sobretudo assim, no que nos faculta a senti-lo desde dentro.
recordando, recordando, até que não nos esqueçamos. até que as nossas células o cantem em uníssono.
tenho orgulho na minha história e, se este é o corpo que a conta, é com a amor que o acolho. que o habito, que o desfruto, e que aprendo a orgulhar-me dele também. recordando. recordando.
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6 responses to nu project in da’house

  1. 

    No lo entiendo todo, pero se te ve radiante !!

  2. 

    Adorei o texto Isabel

  3. 

    Parabéns :) admiro a tua coragem!! O Matt inspirou-me para começar um projecto semelhante em Portugal mas está em estado embrionário … as fotos estão brutais … tudo o que dizes é aquilo que penso sobre o tema… andei a escrever meses a fio sobre isso no “diário de bordo” : onuuno.blogspot.pt … achei esta parte brutal : “se me sentia um trapo de que me adiantava fingir que me sentia radiosa – por mais que ele me convidasse a sorrir, a brilhar, a camuflar? chorei. e não quero pause nenhum. podes fotografar assim mesmo: inchada de chorar. não gosto de me ver assim, mas é parte de quem sou e parte de por onde tenho que passar…”
    Mais uma vez parabéns pela coragem e digo-te, as fotos estão brutais… o que é incrível e desconcertante neste tipo de nus é que é sempre o olhar e a expressão facial que ganham força :) Best of Luck, Best of Happiness, Best of Everything :)

  4. 

    Uau! Estou esmagado.

  5. 

    Tirar a roupa é uma nudez real, mas quando “Imensas lágrimas” encontram forma de nos inundar, é essa a verdadeira nudez. Com roupa ou não, em lágrimas ou não, há uma parte de ti que está sempre radiosa.

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