o outono, a colher e o recolher

Outubro 8, 2016 — Deixe um comentário
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a chegada do outono é a transição à qual o meu corpo reage com mais clareza. posso contornar, conscientemente empurrar com a barriga, mas ela atravessa-me os poros e atira-me para uma diferente relação com o plano horizontal – não fosse o movimento energético que caracteriza esta estação o da energia descendente…
congreguei umas linhas sobre esta época, associando ao tipo de alimentação que mais nos favorece:
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estação energeticamente caracterizada por um movimento para dentro, de congregação, de armazenar recursos, de planear os tempos de quietude do inverno, de organizar rotinas desordenadas em tempos de verão, de limpar excessos e, assim, melhor se adaptar à nova estação.
tudo na natureza contrai e move a sua essência para dentro e para baixo: as folhas e frutos caiem, as sementes secam, a seiva das árvores desce até à raiz, a erva começa a perder o seu verde, tornando-se mais clara e seca. a nossa pele seca, retrai, quebra.
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na medicina tradicional chinesa o outono está associado à energia metal (contracção), ao sentido do olfacto e aos pulmões. também ao maior órgão do nosso corpo: a pele. tal como as árvores perdem folhas, é tempo estimularmos a renovação da nossa pele.
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ao cozinharmos de forma a nos alinharmos ao outono é importante ter atenção a esta energia de abundância e contração – que pode ser sublinhada escolhendo sabores e alimentos terra e adstringentes.
é boa ideia a de cozinhar comida mais ácida, que ajuda a dar início ao processo de contração e ao focus mental. Pickles, chucrute, ameixas salgadas, vinagre, limão, lima, toranja, … tendo em atenção que pequenas quantidades tem um efeito forte.
aumentar também o consumo de raízes, tubérculos e sementes, alimentos ricos em minerais que ajudarão a cuidar da pele, cérebro, rins e sistemas estruturantes como os ossos e a dentição.
é tempo de estimular o apetite pela fragrância calorosa da comida cozinhada, temperada, salteada. cozinhando com menos água e a fogo lento, por períodos mais alargados de tempo resulta em comida mais concentrada que ajuda a espessar o sangue para os tempos mais frios, preparando o caminho para o inverno (elemento água).
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fazer jejuns no outono, como via a eliminar excesso de doces e de comida fria, ajuda a preparar uma adequada acumulação invernal. um tipo de dieta/jejum mais adequada será baseado em cereais e/ou vegetais – em detrimento de dietas/jejum à base de fruta.
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é também a época ideal para começar a esfregar o corpo a seco (com uma esponja suave de pelos naturais) ou com uma toalha de algodão quente e húmida – como movimentos ascendentes, removendo células mortas (trocando de pele), estimulando a circulação e uma mais eficaz transpiração.
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e preparar a ninho, o espaço onde nos sentimos seguros para recarregar, o aconchego a partir do qual acolheremos qualquer tempestade. onde recebemos os amigos, onde acenderemos o fogo, onde nos rendemos à inevitabilidade do hibernar.
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[ além do meu corpo, informação partilhada tem inspiração em escritos de paul pitchford, conceição trucon, francisco varatojo e brian clement ]
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