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* que quando as palavras não nos bastam, possamos usar outras linguagens que sublinhem o mais nos importa. *

 

agendando as próximas e relembrando as últimas.


com ou sem certificações, fórmulas e/ou formatos socialmente sugeridos, que cada relação nos inspire a reconhecer o descarado do Amor :)
e que nos atrevamos a celebra-lo!

 

 

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neste privilégio de trabalhar com a intimidade como paixão declarada, enquanto estou operativamente criando imagens ou desenhando contextos, estou simultaneamente em reflexão sobre o que esta relação artista-objecto me desperta, me inspira ou cataliza.
é quase como estar a trabalhar em distintos planos ao mesmo tempo, como estabelecendo uma conversa comigo mesma sobre as emoções e ideias que me apanham pelo caminho.

no passado fim de semana fotografei pela primeira vez um casamento entre dois homens.
foi para mim uma honra ter sido convidada para esta tarefa de captar a magia de nos autorizarmos a celebrar quem somos, questionando os condicionamentos que fomos aceitando.

foi uma cerimónia muito bonita e emotiva, que me desafiou mais uma vez a rever como me autorizo eu a expressar quem sou ou o que sinto.
deixo-vos a minha certeza – não há condicionamento externo mais forte dos que eu mesma me imponho.

sinto que vivo e amo cada relação que tenho de uma maneira única, que inclui mais ou menos campos de expressão, mais ou menos contacto.
tenho vindo a questionar o que determina a amplitude destes campos que ora se tocam, se abraçam, se acenam, se envolvem…  e segue sendo uma aventura maravilhosa descobrir que, se num determinado momento e contexto escolho alargar e autorizar mais expressões, dá-se um efeito exponencial e com impacto em todas as relações – como se fosse recordando novos dialectos, que passam a estar disponíveis quando o momento ou a vontade assim determinam.

queridos noivos, bem hajam por me permitirem vivenciar este dia convosco, varrer mais uns cantos da minha casa interna de emoções e aspirações.
celebro aqui também as relações que a vida me oferece, seja na dinâmica de aceitar desafios e desentendimentos ou no deleite de encontrar comunhão, visão e expansão.

 

 

cada sessão de fotos para mim é uma oportunidade de celebrar a vida e beleza de cada pessoa presente (a minha também :).

delicia-me especialmente trabalhar com a magia resultante de uma presença ”imperceptível” e a intimidade declarada.
gosto de fazer o possível por me manter invisível ao que naturalmente ocorre, sem abdicar do campo de proximidade que a relação propõe.
algumas sessões pedem mais de invisibilidade, outras mais de intimidade.

gosto de me manter invisível para poder captar o que ocorre espontaneamente, sem o efeito ”sorriso para a câmara”, sem o efeito”encolhe a barriga para pareceres mais elegante” ou ”estica o peito para ficares mais alto”.

e gosto de trabalhar a intimidade exactamente pela mesma razão, pelo que somos espontaneamente.
intimidade para mim é a crueza presente, sem querer parecer o que não é ou esconder o que é.
sou íntima comigo na relação da descoberta de quem sou, no processo de procura do que me motiva a escolher a e não b, a fazer c e não d, a aspirar z e não t, a querer x e também y.

ao te oferecer a minha intimidade, mostrando-me como sou, descubro-me: quem sou eu perante uma outra presença, quem sou eu perante a tua presença? ao te oferecer a minha intimidade, conheço-te: quem escolhes tu ser perante a minha presença?

trabalhar com intimidade amplia-me as oportunidades e possibilidades de descobrir quem somos.
e para mim este é o caminho para encontrar a verdadeira beleza que todos carregamos. a beleza da relação com a nossa realidade, com o nosso potencial presente – desejoso por ser reconhecido e infinitamente ampliado.

esta é a descoberta que me entusiasma nesta relação: invisibilidade e intimidade.
e
talvez seja este o segredo da minha fotografia.

por ter o prazer de partilhar intimidade com pessoas muito diferentes, com visões da vida bem distintas e em contextos singulares, o trabalho fotográfico aqui exposto reflecte obrigatoriamente a relação que cada fotografado tem com a exposição da sua intimidade – com o que se sente confortável, nos determinados momentos ou contextos.

voto que o que aqui exponho possa servir de inspiração para um contágio pela autorização de sermos nós mesmos, sozinhos ou acompanhados, perto ou longe de uma câmara. e uma ode que honra simultaneamente o gosto de declararmos sem reservas quem somos, onde estamos, como estamos, porque estamos… e  o recato de nos reservarmos, de guardarmos como um tesouro escondido pérolas da nossa experiência.

esta é a intimidade que torno visível hoje: o meu entusiasmo por cultivar esta dinâmica de intimidade em tudo o que me passa pelas mãos, com todas as mãos que aperto, com todas as mãos que me tocam, que me acenam, que me abraçam, que me inspiram.

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estou em pulgas para entregar estas recordações aos belos e sorridentes noivos.
foi um grande desafio estimula-los a, em tempo relâmpago, ganharem um pouco mais de à-vontade com os clicks, e um deleite revelar os mimos que se permitiram oferecer. mesmo num pacote pequenino podemos guardar preciosas recordações, que nos inspiram a re~contar histórias, relembrar sonhos, despertar intenções…

foi uma festa a rigor, preparada pelas mãos da Maria e Diogo da Quinta de São Miguel da Corujeira. bem hajam pelo belo acolhimento!

felicidades para todos e que nos animemos a commemorar muitas e muitas vezes.
(para os convidados, o link de acesso à página privada é por aqui: área privada.)

o dia do SIM …

Outubro 19, 2012 — Deixe um comentário

… chegou no final do mês passado, cheio de sorrisos e respingado de algumas lágrimas do transbordo da alegria emotiva. um final de tarde no guincho, florido e solarengo:

foi um privilégio fotografar esta celebração com que a Raquel e o Pedro festejaram o SIM, trocando alianças e votos de uma felicidade oficialmente reconhecida : )


desejo aos noivos que o ”assim seja” perdure – na inteireiza de dois corações que juntos seguem crescendo – inspirando e abraçando outros, encontrando em cada um a fortaleza e sabedoria para se oferecerem plenos, presentes e intencionados.
a vida é uma milagrosa aventura, duplicada na escolha da partilha com o outro.

felicidades aos molhos!

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[ convidados, o vosso acesso é aqui: o dia ]