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a chegada do outono é a transição à qual o meu corpo reage com mais clareza. posso contornar, conscientemente empurrar com a barriga, mas ela atravessa-me os poros e atira-me para uma diferente relação com o plano horizontal – não fosse o movimento energético que caracteriza esta estação o da energia descendente…
congreguei umas linhas sobre esta época, associando ao tipo de alimentação que mais nos favorece:
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estação energeticamente caracterizada por um movimento para dentro, de congregação, de armazenar recursos, de planear os tempos de quietude do inverno, de organizar rotinas desordenadas em tempos de verão, de limpar excessos e, assim, melhor se adaptar à nova estação.
tudo na natureza contrai e move a sua essência para dentro e para baixo: as folhas e frutos caiem, as sementes secam, a seiva das árvores desce até à raiz, a erva começa a perder o seu verde, tornando-se mais clara e seca. a nossa pele seca, retrai, quebra.
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na medicina tradicional chinesa o outono está associado à energia metal (contracção), ao sentido do olfacto e aos pulmões. também ao maior órgão do nosso corpo: a pele. tal como as árvores perdem folhas, é tempo estimularmos a renovação da nossa pele.
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ao cozinharmos de forma a nos alinharmos ao outono é importante ter atenção a esta energia de abundância e contração – que pode ser sublinhada escolhendo sabores e alimentos terra e adstringentes.
é boa ideia a de cozinhar comida mais ácida, que ajuda a dar início ao processo de contração e ao focus mental. Pickles, chucrute, ameixas salgadas, vinagre, limão, lima, toranja, … tendo em atenção que pequenas quantidades tem um efeito forte.
aumentar também o consumo de raízes, tubérculos e sementes, alimentos ricos em minerais que ajudarão a cuidar da pele, cérebro, rins e sistemas estruturantes como os ossos e a dentição.
é tempo de estimular o apetite pela fragrância calorosa da comida cozinhada, temperada, salteada. cozinhando com menos água e a fogo lento, por períodos mais alargados de tempo resulta em comida mais concentrada que ajuda a espessar o sangue para os tempos mais frios, preparando o caminho para o inverno (elemento água).
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fazer jejuns no outono, como via a eliminar excesso de doces e de comida fria, ajuda a preparar uma adequada acumulação invernal. um tipo de dieta/jejum mais adequada será baseado em cereais e/ou vegetais – em detrimento de dietas/jejum à base de fruta.
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é também a época ideal para começar a esfregar o corpo a seco (com uma esponja suave de pelos naturais) ou com uma toalha de algodão quente e húmida – como movimentos ascendentes, removendo células mortas (trocando de pele), estimulando a circulação e uma mais eficaz transpiração.
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e preparar a ninho, o espaço onde nos sentimos seguros para recarregar, o aconchego a partir do qual acolheremos qualquer tempestade. onde recebemos os amigos, onde acenderemos o fogo, onde nos rendemos à inevitabilidade do hibernar.
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[ além do meu corpo, informação partilhada tem inspiração em escritos de paul pitchford, conceição trucon, francisco varatojo e brian clement ]
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sagrado caccāre

Novembro 18, 2015 — 2 comentários

felizmente, é quase senso comum a consideração da saúde dos nossos intestinos como um ponto fundamental para a saúde de todo o nosso organismo.

cresci com a obrigação de que as minhas fezes fossem vistas diariamente, não só para garantir que elas existiam com essa regularidade, mas também para averiguar e diagnosticar a minha condição de saúde. sabedoria de mamãe. a minha saúde não era de facto grande coisa, e não tardou a que passasse a ser mais uma consumidora de laxantes – mais ou menos farmacológicos. o agiolax era companheiro de acampamentos, a célebre latinha serviu de instrumento musical em várias animadas fogueira.

agora, e sem qualquer dúvida graças às mudanças e escolhas alimentares que fui fazendo, tenho um relógio suíço interno – que me desperta diariamente para cumprir as suas matinais funções. quando não funciona, sei claramente que ando a desafiar o meu corpo a provações demasiado fortes para um equilíbrio da minha estrutura – seja por excesso de movimento (leia-se como falta de estabilidade) seja pela qualidade da alimentação in momentum.

cada um de nós, cada corpo, tem o seu limite, e a atenção ao sinais que o corpo emite permite-nos reconhecer até onde é ok desafiarmos o nosso corpo.

cultivar sensibilidade permite aumentarmos a capacidade de reconhecer sinais e, assim, agir em concordância. perdemos sensibilidade ao abusarmos do corpo passando por cima dos seus sinais de alerta. tão claro como o exemplo de, quando toca uma sirene como sinal de fogo, removermos a sirene em vez de atentarmos à razão pela qual ela está a soar.
permite-nos também estar despertos para a diferença entre experienciar desafios e viver em desafio. Não existem duas estruturas com uma mesma capacidade de enfrentar desafios – em tempo ou intensidade – bem como para cada estrutura um chamado ‘desafio’ é de natureza diferente. Uma experiência traumática para mim pode ser um passeio no parque para um power ranger. e vice-versa.

quando o meu alarme toca, quando os meus intestinos passam de suíços a alentejanos, se não posso mudar as condições que despoletam esta alteração, preciso claramente ajudar a minha estrutura a aproximar-se do equilíbrio.

para além das mezinhas que me ajudam a um equilíbrio orgânico (vede abaixo se já estais farto de ler ), tento dar-me tempo para aumentar uma relação consciente com o meu corpo: nem que seja por apenas mais 5 minutos, dar-me mais tempo para sentir o corpo intencionalmente. como uma meditação: parada ou em movimento. às vezes a estagnação intestinal (ou qualquer desarranjo fisico) esconde outras razões, outros níveis de desequilíbrio, e o desbloqueio pode vir do– ou ser acelerado pelo – carinho e cuidado que devotamos aos vários níveis de sabedoria que o corpo transporta. para mim é certo que emoções se gravam nas minhas células, com um sistema digestivo tão importante como o físico.

um dia um professor dizia-me: “não és aquilo que comes, és aquilo que não eliminas.“ convida os néctares com que te alimentas a fluírem pelo teu corpo, não permitas que estagnem. a água mais pura, estagnada, cria podridão.
come bem, gera movimento, respira prolongadamente. adiciona consciência a cada um destes pilares e a tua flexibilidade (aka saúde) será largamente ampliada.

mezinhas favoritas para voltar à regulação intestinal, sem ordem de preferência ou eficácia.
SOPA DE MISO
FEIJÃO AZUKI
AMEIXAS/FIGOS
ALGA AGAR-AGAR
NIGARI (CLORETO DE MAGNÉSIO)
ALGA KOMBU
SEMENTES DE LINHAÇA
PICKLES / CHUCRUTE
KUZU

 

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SOPA DE MISO
[ ingredientes coordenados para reforçar o sistema imunitário ao mesmo tempo que promovem desintoxicação ]
4 cenouras
1 cabeça de alho
2 nabos
5 cogumelos shitake
1 c. sopa de alga hijiki
1 c. sopa de miso
coentros e gengibre a gosto

demolhar os cogumelos e a alga hijiki por 30 minutos. 
lavar e descascar as cenouras e os nabos (se os conseguir de origem biológica, em vez de os descascar lave com uma escova de vegetais). cortar em pedaços de aproximadamente 5 cm.
limpar e cortar os cogumelos em lâminas.
descascar os alhos e remover o espigão interior.
numa panela mais alta que larga, colocar os vegetais, os cogumelos e a alga, cobrir com água (aproximadamente 3 dedos de altura sobre o nível dos vegetais) e deixar levantar fervura.
tapar a panela e deixar em lume mínimo por 20 minutos, ou até confirmar que os vegetais já estão cozinhados.

numa taça desfazer o miso numa pequena porção de água, de forma a que a pasta fique o mais uniforme possível. lembrar que o miso necessita de ir ao calor para acordar mas não pode ferver! 
acrescentar a pasta de miso já desfeita à sopa, ainda em lume mínimo, e atentamente aguardar ver umas pequenas bolinhas surgirem como se quisessem começar a ferver (se necessário subir um pouco a chama).
desligar e está pronta a servir! 

junte coentros picados e sumo de gengibre fresco ralado, a gosto, sobre cada taça de sopa.

 

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ARROZ INTEGRAL COM FEIJÃO AZUKI
[ feijão azuki é especialmente indicado para os rins e intestino delgado, produzindo também um bom efeito de activação de líquidos estagnados. ]
3 chávenas de arroz integral, demolhado por aproximadamente 8h
1 chávena de feijão azuki, demolhado por aproximadamente 8h
1 tira de alga kombu (~6 cm), demolhada por aproximadamente 20/30 minutos
8 chávenas de água

escorrer e tostar o arroz, em fogo médio e numa panela mais larga que alta, até sentir o aroma a cereal tostado. (no inverno, se possível, cozinhe-os numa panela de pressão)
escorrer o feijão e juntar ao arroz. juntar a alga, juntamente com a respectiva água da demolha.
ferver as 8 chávenas de água e juntar assim quente sobre o arroz.
deixar levantar fervura. reduzir o lume para o mínimo e deixar cozer durante aproximadamente 40 minutos.
servir com um pouco de picante, seja sumo de gengibre ou uma pitada de pimenta cayene. o sabor picante favorece a digestão das proteínas complexas, como é o caso das leguminosas.

 

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AGAR-AGAR em mousse de pêra, ameixa e figos
[ agar-agar reduz estados de inflamação, esfria e relaxa, não tem calorias, facilita o transito intestinal, promove digestão. ]
10 pêras
1,5 c.sopa de alga agar-agar em flocos
sumo de 1 limão
8 ameixas secas
8 figos pretos secos
2 gotas de essência de baunilha
2 colheres de sopa de geleia de arroz
1 pitada de vinagre de ameixa umeboshi

colocar de molho a agar-agar, coberta com água por 10 minutos.
caso as ameixas e figos estejam/sejam de qualidade mais ressequida, demolhar por 10 minutos em água morna.
descascar, cortar e triturar 9 pêras numa liquidificadora – se necessário juntar meia chávena de água. aquecer em lume baixo o creme de pêras, adicionar a alga, e deixar em lume mínimo, mexendo com frequência, durante 5 minutos.
escorrer as ameixas e figos, e cortar em pedaços.
juntar as ameixas, os figos, a geleia de arroz e a essência à panela, mexendo para que se incorporem bem. adicionar o vinagre de ameixa umeboshi, mexer e confirmar se necessita de acrescentar mais geleia para que o doce esteja a seu gosto. verter sobre um tabuleiro baixo. juntar uma pêra descascada e cortada em meias luas. levar ao frigorifico por 8h ou ao congelador por 3h.

 

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NIGARI
[ para além do efeito laxativo, tem o benefício extra de ser uma das formas de suplementar magnésio que o é mais facilmente absorvida pelo nosso organismo. ]
juntar 100 gr de sais de cloreto de magnésio em 5 litros de água para a proporção de líquido ideal para ingestão diária de 1 a 2 copos.
uma vez que a quantidade de magnésio presente e necessária em cada corpo é variável (não só de corpo para corpo como também em momentos diferentes), em casos de obstipação teste a proporção de uma colher de chá numa chávena de água, antes de ir dormir. dependendo da sua condição e sensibilidade, poderá acordar já com o intestino pronto para uma limpeza. aumente a quantidade caso não seja suficiente, e descubra a proporção ideal para a sua condição/intenção.

 

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CHÁ DE KOMBU
[ elimina gordura e proteína animal, efeito anti-coagulante, fungicida natural, calmante, mineralizante, amolece fibras, fortalece intestinos, alivia desequilíbrios hormonais com especial impacto a nível da tiróide. ]
1 tira de alga kombu de 5 a 7cm
1 litro de água
tamari (molho de soja)

colocar a alga e a água ao lume, em chama alta, até levantar fervura.
deixar em lume mínimo por 15 minutos.
numa caneca ou copo de vidro grosso, colocar umas gotas de tamari (ou uma pitada de sal) e verter o chá sobre.

 

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LINHAÇA, papa de linhaça com alfarroba e bagas de goji
[ linhaça é uma óptima fonte de ómega 3, commumente usada para aliviar problemas digestivos e tratar obstipação, ajuda a baixar os níveis do chamado ‘mau colesterol’ ajudando assim a reduzir o risco de doenças do coração, contribui para regular os níveis de estrogênio, magia para remover velhos mucos depositados promovendo a sua substituição por fluidos limpos – renovados ]
1 chávena de sementes de linhaça
3 chávena de água
2 c.sopa de farinha de alfarroba
1 c.sopa de geleia de trigo
1 c.chá de canela
deixar a linhaça de molho durante a noite, triturar pela manhã numa liquidificadora, juntando os restantes ingredientes – ajustando quantidades a gosto. servir morno em dias frios, juntando umas bagas de goji sobre a taça.

 

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PICKLES DE COUVE LOMBARDA
[ alimentos fermentados oferecem-nos enzimas vitais para a saúde e optimização dos intestinos, bem como vitamina B12 ]
½ couve lombarda
1 c.chá de sal marinho não refinado

cortar a couve em tiras muito finas e compridas.
lavar e escorrer muito bem.
colocar numa taça larga, juntar o sal e apertar com as mãos, misturando e quebrando as tiras de couve que começarão a soltar líquido (quanto mais sal, mais liquido vão soltar). é neste líquido que ocorre a fermentação.
colocar numa prensa de vegetais e fecha-la bem.
caso não tenha a prensa, tapar com um prato raso e colocar um peso sobre o prato – de forma a que os vegetais fiquem a receber pressão constante.
reservar durante no mínimo 2h antes de servir.
em tempo quente conservar fora do frigorifico, à temperatura ambiente, por 24h.
em tempo frio pode conservar fora do frigorifico, à temperatura ambiente, por 48h.
passado esse período poderá guardar no frigorífico pelo tempo que quiser. no frigorifico abrandará consideravelmente o processo de fermentação. quanto mais tempo estiver à temperatura ambiente, mais fermentação ocorrerá. importante atentar ao aparecimento de bolor.

 

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KUZU
[ ajuda a equilibrar a flora intestinal, em qualquer que seja o cenário de desajuste. em combinação com a ameixa umeboshi, fornece também sais minerais ]
1 c.sobremesa de kuzu
1 chávena de água
1/2 c. chá de ameixa umeboshi
1 c. chá de tamari (molho de soja)

dissolver uma colher de sopa de kuzu numa pequena quantidade de água, preferencialmente usando os dedos para garantir a melhor dissolução possível.
colocar num tacho pequeno. adicionar uma chávena de água, adicionar a pasta de umeboshi e cozinhar em lume médio, mexendo sempre por aproximadamente 4 a 5 minutos. quando estiver translúcido e homogéneo juntar o tamari e deixar cozinhar por mais um minuto. tomar quente.

 

PS – mais uma mágica palavra: enema.
em caso de ajuda, uma referência preciosa: Laurent Bordas.

pilares e receitas

Setembro 18, 2015 — Deixe um comentário

no desafio que é, agora, viver sem poiso fixo, procuro estar ainda mais atenta e em sintonia com a dinâmica-equilíbrio que o meu corpo pede.  em tempos de mudança testamos as fragilidades e fortalezas do corpo, a sua capacidade de reagir e se adaptar. re-conhecemos ou descobrirmos pontos  frágeis – de uma constituição base ou de uma condição temporária. 

casa tende a ser uma das variantes dadas como certas, tal como se não fosse variável. e, junto com o romantismo de uma vida nómada, há um sem fim de desafios que quem assim vive vai descobrindo como contornar. 

os dois pilares da minha saúde são alimentação e movimento – qualidade e quantidade – e é aqui que tenho que aprimorar truques para, dada a minha constituição algo frágil, me manter saudável. exercício, alongamento e descanso + procurar com astúcia em cada menu os ingredientes que patrocinam a qualidade energética que preciso. 

é nestas fases que a minha cozinha medicina torna-se ainda mais visível em mezinhas e ingredientes de sonoridades como kuzu, kombu, tempeh, umeboshi, …
é nestas fases que aprimoro a destreza de seguir inventando doces e mimos.
é nestas fases que calçar os ténis para ir correr soa-me uma das mais gloriosas batalhas que qualquer herói poderia encetar.
é nestas fases que ligação à internet deixa de ser constante, e as partilhas programam-se ou seguem de enxurrada…

seguem algumas das receitas que fazem parte das ementas actuais, categoria mezinha ou mimo, que seguirei partilhando na medida em que a máquina fotográfica possa estar acessível e a internet assim patrocinar.

* flocos de milho com coco e arandos em leite de arroz
* pasta doce de amêndoa
* umeshokuzu
* sopa de miso, com cogumelos e coentros
* trigo sarraceno
* cenoura crua com limão e sal dos himalaias

* nutela todo-o-terreno
* chá de daikon e kombu


* flocos de milho com coco e arandos em leite de arroz
[ peq. almoço ]

flocos de milho, sem açúcar
coco desidratado
arandos desidratados
leite de arroz

colocar os flocos de milho, o coco e os arados numa taça.
servir com leite de arroz.

* pasta doce de amêndoa, on the go
[ peq. almoço ]

pasta de amêndoa
mel de flores
pasta de ameixa umeboshi

mergulhar um dedo em cada uma das pastas. 
meter os dedos à boca.  
…. ou usar uma colher ou faca e barrar, civilizadamente, no pão :)

*  umeshokuzu
[ óptima mezinha para o sistema imunitário, para fortalecer e promover o sistema digestivo e para restaurar os níveis de energia. ]

1 c. de sobremesa de kuzu
1 chávena de água
1/2 c. chá de ameixa umeboshi
1 c. chá de tamari (molho de soja) 

dissolver uma colher de sopa de kuzu numa pequena quantidade de água, preferencialmente usando os dedos para garantir a melhor dissolução possível.
colocar num tacho pequeno. adicionar uma chávena de água, adicionar a pasta de umeboshi e cozinhar em lume médio, mexendo sempre por aproximadamente 4 a 5 minutos. quando estiver translúcido e homogéneo juntar o tamari e deixar cozinhar por mais um minuto. tomar quente.

* sopa de miso, com cogumelos e coentros
[ sopa medicinal ]

1 cebola
¼ de abóbora hokkaido
8 cogumelos Paris
1 tira de alga kombu
1 colher de sobremesa de miso por cada taça de sopa
coentros

demolhar a alga kombu por 10 minutos.
descascar e cortar as cebolas em meias luas finas, colocar numa panela larga cobertas com água e levar ao lume médio/alto. deixar ao lume sem tampa até que as cebolas fiquem transparentes, tendo atenção para que tenham sempre água.
lavar e descascar a abóbora (se conseguir  biológica, em vez de os descascar lave com uma escova de vegetais). cortar em pedaços de aproximadamente 5 cm.
limpar e cortar os cogumelos em lâminas.
quando as cebolas já estiverem transparentes juntar a alga kombu, os cogumelos e a abóbora, e acrescentar água (aproximadamente 3 dedos de altura sobre o nível dos vegetais).
tapar a panela e deixar em lume mínimo por 15 minutos, ou até confirmar que os vegetais já estão cozinhados.

numa taça desfazer o miso numa pequena porção de água, de forma a que a pasta fique o mais uniforme possível. lembrar que o miso necessita de ir ao calor para acordar mas não pode ferver! 
acrescentar a pasta de miso já desfeita à sopa, ainda em lume mínimo e atentamente aguardar ver umas pequenas bolinhas surgirem como se quisessem começar a ferver (se necessário subir um pouco a chama).

desligar e está pronta a servir!
sirva com coentros, a gosto.

* trigo sarraceno
[ cereal, eficaz para drenar a retenção de líquidos ]

1 chávena de trigo sarraceno
2 dentes de alho
1,5 chávena de água
1 colher de chá de sal marinho não refinado

deixar o trigo sarraceno de molho por aproximadamente 2h (não é obrigatório, facilita a abertura da camada exterior do grão de modo a que possamos absorver melhor os seus nutrientes, e acelera o processo de cozedura).
escorrer bem o trigo.
descascar os alhos, abrir ao meio e remover o espigão central. partir em tiras finas.
aquecer uma panela larga e baixa no lume. juntar os grãos de trigo e o alho para tostar na panela bem quente, em lume médio, durante aproximadamente 5 minutos e mexendo com frequência. juntar 1,5 chávenas de água e uma colher de chá de sal.
tapar e deixar cozinhar em lume mínimo por 15 minutos.

* cenoura crua com limão e sal dos himalaias
[ porque ainda está quente o sol ;]

3 cenouras
1 limão
1 colher de chá de sal dos himalaias 

ralar 3 cenouras (usar um descascador para lascas mais largas e/ou caso não tenha um ralador à mão)
espremer e verter o sumo de limão
juntar o sal e misturar.

* nutela todo-o-terreno
[ mimos forever ]

pasta de avelã
geleia de arroz
cacau cru em pó
uma pitada de vinagre de ameixa umeboshi

misturar a gosto, juntando um pouco de água para uma textura mais cremosa.

* chá de daikon e kombu
[ mezinha-bebida diurética, ajuda a dissolver depósitos de gordura no corpo, bom para relaxar. ]

1 colher de sopa de daikon seco
1 tira de alga kombu
4 a 5 chávenas de água
1 colher de sobremesa de tamari (molho de soja)

demolhar por aproximadamente 10 minutos o daikon e a kombu. levar ao lume médio até levantar fervura. deixar em lume mínimo por aproximadamente 20 minutos. 
na taça onde vai servir colocar o tamari e verter o líquido quente. tomar quente.

finally consigo partilhar: fiz uma sessão com o Matt!!
conheci o Matt Blum uns meses depois de ter apresentado o meu projecto de fotografia de nus no âmbito de um encontro internacional de criativos. fui investigar o que andava a acontecer e o The Nu Project, pela simplicidade e naturalidade que de imediato ressoou comigo, ajudou-me a alargar o âmbito do meu: [ descobrindo-nus ] – que segue um próprio e muito íntimo ritmo de crescimento. partilhamos uma missão: a de celebrar a beleza da naturalidade. cada um com a sua linguagem e ferramentas: o Matt procura acordar a beleza em qualquer momento, eu procuro encontrar a beleza de qualquer momento.

o acto de expor perante o outro a cerimónia de me despir para mim, permite-me valorizar o palco criado para sentir na pele a importância da vulnerabilidade, e a pertinência de ter de um espelho-eco que posso revisitar.
acredito que as nossas paixões vão de mãos dadas com as nossas questões mais profundas – com os chamados dragões que vimos aprender a domar, os maiores medos ou fragilidades. já escrevi imenso sobre desnudar-me, já perdi ou desfiz-me de muitos dos textos, e encontro sempre no corpo o fio de toda a minha história – do que necessito recordar e do que já foi tempo para esquecer.
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desta sessão recordo especialmente as imensas lágrimas que encontraram momento para me inundar, expressando uma tristeza magnética que tardou a abandonar-me. a minha vulnerabilidade espantou-o, fazendo-o questionar a sua própria tristeza e como a cultura americana (de onde ele nasce) condiciona a sua expressão.
se me sentia um trapo de que me adiantava fingir que me sentia radiosa – por mais que ele me convidasse a sorrir, a brilhar, a camuflar? chorei. e não quero pause nenhum. podes fotografar assim mesmo: inchada de chorar. não gosto de me ver assim, mas é parte de quem sou e parte de por onde tenho que passar…
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pouco depois eram gargalhadas soltas que partilhávamos no espanto e prazer de poder conduzir o meu corpo a posturas inusitadas, empinadas, viradas do avesso.

das sessões pelas quais passei enquanto modelo, guardo um mesmo sentir de empoderamento, de liberdade, de pacificação com a minha matéria. e sorrio cúmplice ao recordar semelhanças nos feedbacks de quem tenho tido o previlégio de fotografar.

já que tudo é passageiro, já que ora nos sentimos belos ora monstros, multiplicarmos as oportunidades de recordar que somos perfeitos parece-me sábio. sobretudo assim, no que nos faculta a senti-lo desde dentro.
recordando, recordando, até que não nos esqueçamos. até que as nossas células o cantem em uníssono.
tenho orgulho na minha história e, se este é o corpo que a conta, é com a amor que o acolho. que o habito, que o desfruto, e que aprendo a orgulhar-me dele também. recordando. recordando.
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tortura? ou tentação.
ambas levam a um sentir intenso.
aqui, sem peso na consciência.
[ todas as fotos são de receitas isentas de lácteos, glúten, ovos, açúcar, carne, ogm. ]

comme visit.
na Bells & Springs, em Lisboa.

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manifesto da cozinha~commemorare, por isabel:
cozinhar como um gesto de amor: como fazer amor.
cozinhar como uma declaração de intenção: como criar relação entre alimento e alento.
cozinhar como um acto alquímico: como um procedimento mágico de gerar prazer e saúde.

porque quando comes, quando escolhes com o que te alimentas, escolhes como criar o teu sangue, como dar forma ao teu corpo, como alimentar as tuas células, como nutrir todos os teus sentidos.
porque quando dás ao teu corpo substâncias que ele reconhece como comida, verdadeira comida, ele agradece e retribui.
porque quando lhe dás verdadeira comida, isenta de mil complexidades químicas, aumentas a sensibilidade e capacidade de reconhecer os sinais e a linguagem com que o teu corpo comunica. e essa – a sabedoria da escuta do corpo – é um dos maiores tesouros que nesta vida podemos recordar.

comer, como respirar, é um dos actos mais íntimos.
de quê que te queres rechear?! ;)

porquê é que me emociono com os resultados do meu trabalho?
porque isso faz parte do que recebo de volta:

** não me canso de olhar cada uma das fotos e de cada vez que atento a um pormenor,
mais me apaixono por quem sou e pelo meu corpo. **

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” As poucas roupas que trazia no corpo, ficaram caídas no chão de madeira e a Isabel, pegou na sua máquina. Os disparos foram acontecendo de forma natural e a Isabel foi se transformando. As suas feições, a postura do corpo, a atitude, mudam.
Fui tentando encaixar o corpo, que a nú, parece tão maior e espaçoso.
Tentei relaxar e desfrutar da boa sensação de ser fotografada com toda a extensão de pele ao desnuo e a sessão foi acontecendo, de forma suave e natural. Numa comunicação quase silenciosa, o meu corpo falava com o da Isabel e a sua máquina captava cada momento.
(…)
A minha essência, a minha natureza, a minha singular beleza. Estavam todas presentes e tão bem registadas. Não me canso de olhar cada uma e de cada vez que atento a um pormenor, mais me apaixono por quem sou e pelo meu corpo.
A Isabel, é mais do que uma mera fotógrafa. Ela e a sua máquina, integram-se no objecto fotografado e uma espécie de alquimia acontecem, dando lugar a fotografias que mais parecem pedaços vivos de gentes e de emoções.”

para lá da troca de números numa contagem de anos, este tempo oferece-me um convite a reflectir sobre o que me conecta com o que desejo e aspiro, para assim poder escolher e criar em concordância – pessoal e profissionalmente.

hoje, amanhã e a cada ano:
possa eu reconhecer o brilho da minha singularidade, e encontrar o divino em cada conexão;
que a fé prevaleça, e me siga conduzindo a casa: a fortaleça da minha nudez.
que nos partilhemos com carinho e respeito, suportando-nos nesta louca aventura de sermos e estarmos vivos.

gratidão.
gratidão.

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da garra brota beleza

Dezembro 28, 2014 — 2 comentários

retirando o pó à beleza que deixei em suspenso, apanho-me emocionada ao encontrar os tesouros que esperam por mim.
sou viciada no belo, em descobrir onde ele parece se esconder quando teimamos não o querer ver.

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esta mulher não é apenas linda. é uma Mulher cheia de garra, e acredito que é mesmo daqui que brota a sua beleza.

seja assumidamente contagiante a garra e a beleza que todos temos, que irrompem de dentro e se reconhecem fora.
que ora nos enchem sorrisos ora se vertem em lágrimas.
que ❨me/nos❩ inspirem a dar forma, corpo e expressão ao que ❨me/nos❩ anima.

{ para marcar uma sessão fotográfica envie-me um e-mail }

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recordar e sonhar

Dezembro 1, 2014 — Deixe um comentário

o aparente silêncio que habita nas entrelinhas de uma imagem acorda a capacidade imaginativa de recordar o que já foi
e de sonhar o que há de vir.


entre as imagens que arrastava para posterior edição encontrei nestas duas, em ligação ao momento em que as fotografei, uma curiosa relação de passado e futuro. como se a composição que cada uma expressa activasse em mim o valor do que vivi e o desejo pelo que quero criar. eu sei que é apenas uma tarte de amêndoa e abóbora, e eu vejo família – a que foi e a que virá.

levantando o véu ao que está a surgir, as fotos e a tarte foram cozinhadas na Bells & Springs de onde mais propostas relacionadas com a paixão de cozinhar ganharão forma. o espaço físico é lindíssimo, e a expressão família pulsa na visão de um futuro que anima a responsabilidade de cuidar e empoderar o corpo como casa, que nos apoia a dar expressão aos nossos sonhos.
alimento e movimento estão aqui a dar as mãos. venham as bênçãos :)

no Atelier do Cardal, próximo dia 07 de Novembro, ocorrerá uma tertúlia que se quer animada também por ti :)

vou apresentar dois projectos bem queridos:
> descobrindo~nus – a beleza da matéria-corpo-nu;
de boca-cheia – os livrinhos de receitas para cozinhar mais saúde.

irei partilhar como é tão óbvia para mim a relação entre estas duas abordagens de relação com o corpo: na forma como o habitamos e nos empoderamos através das escolhas que fazemos; partilhar inspirações vividas ao longo do meu percurso que sinto terem contribuído para estas propostas ganharem forma; contar-vos algumas histórias que estas visões tocam/tocaram e, quem sabe, fazer-vos cúmplices da minha loucura.
benga, inscreve-te!!

mais info na página do evento no facebook.
data: 07 de Novembro, das 19h30 às 22h30
local: Atelier do Cardal – Rua Cardal de São José, 6A, 1150-Lisboa
participação: 4€
inscrições e informações: atelierdocardal@gmail.com ou 961406805 (Sandra)

outono ou outono

Outubro 9, 2014 — 1 Comentário

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chegou-me a força do outono e finalmente a louca vontade de hibernar, de ficar aninhada e bem caseira. dos chás com mel, do conforto do sofá, da música dengosa, e das partilhas ao som da chuva na janela, e do zumzum da cidade lá fora. uma parte de mim sente-se ainda em reconvalescença da agitação dos últimos meses, outra animada com a recuperação crescente.
o eclipse do computador e das memórias digitais fez-me reconectar com o prazer da matérias nas mãos, dos papéis, das tintas, dos desenhos, de criar ‘mais casa’ nos locais onde habito, … fez-me também voltar a questionar o que quero, posso e sei criar com as ferramentas que possuo – tangíveis e intangíveis –, e sentir o magnetismo perigoso do medo de não emergir dos momentos em que vou abaixo.

estou muito grata pelos amigos que tenho e que me ajudam a reconectar e recordar o meu centro e poder. vai pelo menos uma linha dedicada a estes imensamente valiosos tesouros!
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quem assim me conhece sabe que é nas relações que mais me realizo.
operativamente, a fotografia é uma das paixões que me dá a oportunidade de juntar ‘relação’ com a paixão pela beleza.
nos cartões da máquina fotográfica moram várias sessões para encaminhar para os respectivos fotografados, e na ponta dos meus dedos o irrequieto bicho de seguir criando os contextos onde cada fotografado se reveja na beleza que emana. uma das isabeis que sou tem o desejo de fotografar todas as pessoas com quem se cruza, de modo a que todas possam ver o quão belas são! é um privilégio poder ter esta visão e um tão gratificante desafio acompanhar os outros a confiarem e irradiarem essa sua única e inigualável expressão de beleza.

da paixão da cozinha partilho umas fotos também não editadas das receitas que saíram nesta edição da revista comer.
receitas bem outonais e que convidam a experimentar deliciosas alternativas à carne (o tema desta revista…):
~ creme de lentilhas com chá e molho de iogurte;
~ tempeh com mel em manteiga de cebola.
encontrem-na nas bancas e aventurem-se ao deleite!

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que a vida me siga regalando oportunidades de viver apaixonada, e que as saiba usar com beleza criativa em todas as relações que estabeleço. que siga disponível para ser inspirada, e continuar a aprender. e que me aceite também como inspiradora, disponível para partilhar do que sei.

no corpo

Setembro 22, 2014 — Deixe um comentário

olhando para o caminho que vou percorrendo, nem sempre lhe encontro nexo.
sei que ele anda por aqui, e por mais vontade de descansar na confiança desta existência, muitas vezes a incapacidade de o reconhecer leva-me ao desalento.
a sentir-me perdida, desorientada, sozinha.

é bom saber que parar faz parte do caminho, é bom também ter ferramentas que nos ajudem a reconhecer a riqueza destes ciclos: parar, fluir, construir, destruir, renascer, acreditar.

sei que não sou só eu que tenho passado por fortes momentos de descrença, em mim e no ser humano em geral. de questionar propósitos pessoais, relacionais, existenciais. sou mestre a enrolar-me nas minhas próprias novelas, recambolescos filmes que passam na minha cabeça.
felizmente, algures no meio deste processo de crescimento, rendi-me ao processo de escutar o corpo. de ir aprendendo a abrandar a insana narrativa e confiar na realidade. recordar que o pensamento é virtual, toda a existência material é concreta: pernas, mãos, barriga, acção, quietude, dor, prazer, ritmo, pulsar, …

partilho umas fotos ( também editadas em ‘versão tablete’ ) de uma das minhas práticas favoritas para esta reconexão ao corpo, ao sentir, ao real. uma prática que me liga ao meu centro, e daí ao que sinto ser o Centro. que me liga à unidade, a confiança, à alegria de estar viva e na Vida. que me ensina a render-me, a entregar-me na presença, no sentir. cada vez um pedacinho mais.
recordo com um largo sorriso um raio de iluminação que me invadiu todas as células, num sentir extático, no pico de uma dança: * uau, que simples! eu sou perfeita a ser eu mesma! * e, ao escutar esta tradução corpo-palavras, a cabeça apressou-se a responder-me: * merda, mas eu não sei quem sou.. e para ampliar o desafio estou em constante mudança.*
e está tudo bem não saber, e confiar e avançar. Usar as sensações como referência, explorar as emoções. é um treino, um campo seguro para experimentar, para me entregar ao sentir por completo. e a escutar, a criar espaço para receber inspiração.
isto é parte do que esta prática é para mim: agora. o que será que a ti te poderá trazer?

abaixo um texto sobre a prática de dança que me apaixona: 5 Ritmos (www.5rhythms.com).
por aqui por Portugal a prática é bi-semanal, em Lisboa e Sintra. mais info aqui: 5 Ritmos de Mudança.

( agradeço à Mariona querer ser fotografada e, assim, rever-se a beleza que emana quando baila. )

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Dançar os 5Ritmos é uma prática dinâmica que concilia, na mesma respiração, o trabalho físico e meditativo. Os Ritmos ensinam-nos que a vida é energia em movimento, permitindo que nos libertemos de ideias estagnadas sobre pessoas, lugares, objectos ou conceitos.

Diz-se que uma fotografia diz mais que mil palavras. Uma dança profunda comunica mais que um milhão. Ao dançar os 5 Ritmos descobres uma linguagem de movimento livre, enraizada em renovadas e inesperadas formas de te moveres: um vocabulário visceral e altamente pessoal.

Ao dançar os 5 Ritmos podes reconectar-te a percepções e memórias; formas e gestos; sintonizar-te com o instinto e intuição. Trazem até ti sugestões de como expressares criativamente agressividade e vulnerabilidade, emoções e ansiedades, limites e efusões. Reconectam-nos aos ciclos de nascimento, morte e renovação, ao espírito de todas as coisas viventes. Trazem-nos de volta à sabedoria dos nossos corpos, despertando o poder curativo do movimento.

Ao dançar os 5 Ritmos o corpo torna-se o nosso caminho espiritual.
http://www.5rhythms.com

 

Ao dançar os 5 Ritmos o corpo torna-se o nosso caminho espiritual.

como me hice, no volvería a hacerme. tal vez volvería a hacerme como me deshago. *
antonio porchia

a pausa veraneia de conteúdos justifica-se mais pelo súbito desaparecimento de ferramentas de trabalho do que pelo sazonal aproveitamento do calor da época.
têm sido longas as noites sem dormir, rápidos os dias de afazeres. em poucos meses a vida segue parecendo que me atravessa por anos.

partilho algumas fotos, que germinam a imensa vontade de recriar-me na expressão de uma criatividade que late. ainda não sei como a commemorare ressuscitará. talvez, como diz o poeta acima, à boleia de alguma inspiração do como a isabel se desfaz.

( fotos editadas em modo * magic portable paraphernalia *, espremendo a flexibilidade e paciência, agradecendo a versatilidade das modernices )

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beleza destapada

Abril 21, 2014 — 6 comentários

modela01depois de algumas ameaças, muita expectativa, e ainda com material por revelar, chego finalmente ao partilhar de um projecto que há muito me enche o coração.

entre sonhos e insónias nasceu em mim há quase dois anos a vontade de fotografar corpos na intimidade.
sem entender o propósito, forma ou contexto, a ideia foi-me acompanhando em diferentes vivências e transitando entre conceitos mais ou menos arrojados, sempre em torno da nudez: de como nos despimos física e emocionalmente.
pelo caminho, fui tendo a honra de partilhar e contagiar algumas pessoas que acolheram esta ideia com suficientes perguntas e respostas para pudesse chegar aqui, agora. que colaboraram comigo escutando-me, partilhando referências, experiências. que deram algo de si a esta visão:

o dar forma a um corpo expositivo, virtual e físico, que visa transmitir e inspirar a capacidade
de habitarmos mais autentica e inteiramente os nossos corpos, assumindo e comemorando a beleza que, também com ele, somos.

estou profundamente grata a cada uma destas dádivas, em especial por cada sessão mágica em que celebramos esta visão.
convido-vos a conhecerem esta intenção em criação: DESCOBRINDO-NUS, a beleza destapada


a
gradeço os vossos comentários, questões e inquietações ♥

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PS – dei uma nova arrumação aos links no topo da página, de uma forma que me parece mais intuitiva.
se não encontrarem algo que vos parece importante, PF avisem-me ;)

máscaras

Abril 15, 2014 — Deixe um comentário

Um só corpo fala mil e uma línguas.

Esta não foi uma programada sessão de fotos, foi um inesperado convite a brincadeiras de luzes e texturas.
A Casa das Máscaras propõe contextos de exploração por mundos que, num contexto de respeito, para além da descoberta e diversão podem também oferecer transcendência, cura e libertação.

A verdadeira sessão fotográfica ocorreu com outra câmera, eu esgueirei-me aqui e ali para brincar com a quase inexistente luz e os volumes, texturas e contrastes que se ampliaram.

top top comme-01-01* as nossas vidas alimentam a nossa arte tornando-a real e autêntica, e a nossa arte abre e espelha-nos imagens sobre quem temos sido, quem somos , e quem poderemos nos vir a tornar. à medida que encontramos integridade na maneira como damos forma aos nossos corpos, movimentos, imagens e sentimentos através da arte, com tempo e prática tornamos-nos mais capazes de criar relações mais criativas, connosco e com os outros * Daria Halprin

 

* our lives feed our art by making it real and authentic, and our art opens and reflects back to us images of who we have been, who we are, and who we might become. as we find integrity in the ways we shape our bodies, movements, images, and feeling through art, with time and practice we are able to shape more creative relationships with ourselves and others. * Daria Halprin

verbo descobrir

Fevereiro 14, 2014 — Deixe um comentário

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verbo
Palavra com a qual se afirma a existência de uma acção.

descobrir

verbo transitivo
1. Achar o ignorado, o desconhecido ou o oculto.
2. Fazer um descobrimento.
3. Chegar a conhecer.
4. Notar.

verbo transitivo e pronominal
5. Destapar.
6. Mostrar.
7. Manifestar; revelar.
8. Avistar; ver; alcançar com a vista.
9. Inventar.

verbo intransitivo
10. Aclarar, clarear a atmosfera; romper (o sol) as nuvens.

verbo pronominal
11. Tirar o chapéu (ou o que se tem na cabeça).
12. Cumprimentar (descobrindo-se).
13. Expor-se demasiado apresentando muito corpo (Esgrima).

darmo-nos à luz

Dezembro 12, 2013 — 4 comentários

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não me recordo como foi para mim mas imagino que para um bebé o parto possa ser visto como um processo de morte. termina a sua vida intra-uterina e começa a aventura de respirar pelos seus próprios pulmões.
para a mãe, também imagino que o parto seja um processo de morte: termina a fase em que gerou no seu ventre um ser para corajosamente dá-lo à luz. parece-me ser uma enorme expressão de Amor: darmos alguém à luz.

talvez esta relação entre morte e nascimento vos pareça disparatada. para mim são inevitáveis: a relação que temos com estas dinâmicas revelam-se como oportunidades de expressão de um Amor inteiro.
e se cada dia morremos e nascemos mil vezes, temos sempre a oportunidade de nos voltarmos a dar à luz, de sermos luminosos, de inspirar-mos os outros a o serem também.

inspira-me a coragem desta super mãe, que estará prestes a abraçar pela primeira vez a pequena A.
parabéns querida C, bem hajas pela luz que te permites irradiar.

Clearly all fear has an element of resistance and a leaning away from the moment. Its dynamic is not unlike that of strong desire except that fear leans backward into the last safe moment while desire leans forward toward the next possibility of satisfaction. Each lacks presence. Each is a form of attachment…. We say it is death that causes all this fear, but it’s really caused by our attachment to past fears. Especially in times of stress, we need to follow well-worn paths and patterns. Our unwillingness to enter each moment fully, without judgment or the need to control it, simply produces more fear and resistance to that fear. * stephen levine

 ~

Todo o medo tem um elemento de resistência e uma tendência para nos afastar do presente. A dinâmica não é diferente da que ocorre quando surge um forte anseio: no caso do medo há uma inclinação para o passado, para um anterior momento de segurança, enquanto no anseio a inclinação dirige-se para o próximo momento de possível satisfação. Uma falta de presença, uma forma de apego. Não é a morte em si que traz medo e sim o apego aos nossos medos do passado. Especialmente em momentos de stress, sentimos necessidade de recorrer a padrões já conhecidos. A nossa resistência a entrar em cada momento em inteireza, sem julgamentos ou necessidade de controlo produz mais medo e resistência. * stephen levine

* bells

Outubro 25, 2013 — Deixe um comentário

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tenho a honra de fotografar corpos. o privilégio de os reconhecer belos, expressivos, autênticos. as fotografias deste artigo são sessões não planeadas, que ocorrem na magia do espaço contíguo ao que agora também habito.

aproveito-as para vos apresentar a Bells & Springs, uma casa onde se cuida de corpos, onde se honra a sua funcionalidade, enaltecendo o serviço que o corpo presta à expressão de quem somos.
as artes ensinadas estão aos cuidados de mestres que se revelam na presença e atenção a quem os procura, disponibilizando o seu compromisso em dar o melhor de si para descobrir e fortalecer o melhor em cada aluno.

prestes a entrar num fim de semana profundamente dedicado à inerente sabedoria dos corpos, deixo-vos a inspiração de nos comprometermos com o respeito e sintonização para o que o corpo nos pede: seja movimento ou quietude, aceleração ou abrandamento. o que te faz sentir mais vivo, o que te faz tocar a tua campainha, a tua bell?

boas respirações ;)