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francisco

Julho 19, 2017 — 1 Comentário


q
uando preciso escrever, não filtro o idioma com que o corpo se expressa. os meus cadernos têm textos em igual proporção entre português, inglês e castelhano. hoje, quando finalmente algo saiu, saiu em inglês…
sei que precisava dedicar um belo espaço deste virtual ao querido Francisco, podia ter sido o menu especial de degustação de uma noite da Moagem /Mó Veggie Bistro; podiam ter sido imensas das memórias partilhadas; podiam ter sido fotos; … saiu um texto. precisava sair, provavelmente porque também precisaria chegar a algum lugar.
bem hajas querido amigo. vida longa em tanto que nos deixas.

 

 

to overcome trauma, time is gold and space is sacred.
silence becomes my biggest ally and movement jumps into the next level of awareness: to create the opportunity to move slowly, with all presence possible – through the emptiness of space not shared.
to move slowly is hard work, I’d say. harder than the huge amount of duties, requests, demands and never ending to dos of an intense work rhythm.
to stop requires a deeper level of trust.

the tiredness and sadness I feel comes from the place of chosen accumulation, a choice made with the consciousness of its need – now so urgent to dissolve. I had to lose touch with my inner intensity to respond to the outer magnitude. I had to select interactions or be shallow. I felt almost numb for several moments, and on some occasions not really seeing who and what was going around me. I was overwhelmed inside, and to be present to all that was going in meant I was less present outside. I found a new code for interactions: let’s keep it fast and focused. my attention won’t endure long.

so, I want to say that if I was giving you with more silence than normal, less patient than usual, less presence than what you know; if I did not saw you, if I did not recognize you: don’t take it personally. it was, as is, absolutely personal. I’m still very in, still needing to over-select interactions out.

* fires burning, emotions covered, waters contaminated, business opening, awake people sleeping, silence calling, love melting, lack of breath, babies growing, disappointment, fuel consumption, incompetence, events, misunderstanding, ego, chaos, beauty, dreams, reality. death. inner intensity, outer massiveness. *

it’s a big loss for each of us who knew Francisco. it’s a big loss even for the ones who didn’t know him – as his legacy and wisdom could (and surely will) feed so many.
I was privileged to be intimate with the man behind the teacher. I’ve expressed my gratitude several times, and I know well how we could value the exchanges we’ve made in all these years of friendship and work. I was overwhelmed by the connection my body made in the exact same moment the pulse of life moved to another flow. and I look back and remember it was also like this when my dad or my mom passed away. I bow to the big wisdom of this cosmos. my prayers of connection, ease, and love kept pulsing for long – though tears kept running on my face, all my skin seemed to cease her function of separating flesh from the void. I was all over. I had to rub me to feel where I started and where I ended.
and then I choose to resume. Resume all this intensity, to manage duties and internalize the loss: the loss of logic, the loss of control, the loss of expectations, …
more homework in the suitcase, how to propel living fully combined with seeding a bright future – when something like this suddenly shakes so deeply the floor I step in.
there is light in the depths of the sea – I keep “mantraing”.

when Francisco started diving he told me repeatedly how that was his refuge of becoming unknown, invisible. I guess he chose – filled with passion and joy – to master an art of becoming one with the blue, to gaze planktons, dance on seven seas and become finally invisible. but we all know, dear friend, all you’ve given out through your life of service will keep you visible again and again in the daily choices you inspired us to reach. in the legacy that you leave behind.

there is light in the depths of the sea – I keep “mantraing”.
and as I keep on the slow pace of reconnecting the pieces I had locked somewhere inside, I recognise the trembling tearful voice inside questioning: how… with so much that we need light on the surface of this land… I have to go deeper, make it personal and own my loss as I hunger for more light around – less density, more clearness, extra inspiration, more upliftment.

let’s be that what we seek.
and let’s share it with each other.
we, surely, all need it: to give and receive it.

thanks Francisco for being light.
flexible and rooted.

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update:
> homengagem ao Francisco na Assembleia da República, hoje dia 19/07, pelas 17h.

> para quem não teve oportunidade de conhecer o Francisco, ele deixa um enorme legado espalhado em milhares de alunos e concentrado no Instituto Macrobiótico de Portugal. recomendo a leitura atenta dos artigos por ele escritos e aqui partilhados:  artigos.

assim na terra

Fevereiro 24, 2016 — Deixe um comentário

… como num céu.
[ site em total reformulação. actualizações mais frequentes no é facebook commemorare. ]

raízes

Novembro 21, 2013 — 1 Comentário

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por mais voos que dê, de quando em quando urge-me a necessidade de regressar às raízes.
não sei explicar onde elas estão, suponho que talvez nos abraços das gentes com quem cresci, na terra que acolhe os que me deram luz.
ou quem sabe seja também um conceito de interioridade: permitimos-nos estar em contacto com as nossas raízes em resposta a estímulos que determinadas relações nos inspiram – relações com locais, gentes, emoções, estados de espírito.

uma curta viagem rumo ao norte permitiu-me desfrutar de re-ligações das quais sentia saudades, em tempo em que as folhas dançam também o seu movimento até à terra. visitar locais cheios de memórias, caminhos, pedras, edifícios que me falam em dialectos que só eu posso decifrar. que falam a cada um que por eles passa se estivermos dispostos a escuta-los. oiço tocar os sinos da igreja, abrem-se portas de capelas privadas, corações e pedras serpenteiam o caminho, sou acolhida em casa onde bate a chuva nos vidros, se assam castanhas, partilha-se à mesa conversas que se prolongam, e mimos que se arrastam.

e sinto também a minha realidade de sentir que casa é, para lá de um espaço geográfico, onde nos permitimos aterrar inteiros, habitando-nos. onde deixamos cair máscaras e papéis – há abraços que são casa, músicas, cheiros, espaços, estradas, tendas, bancos de jardim. habitar-me com esta presença traz-me a possibilidade de dar e receber mais, e de reconhecer o que cada um destes espaços me traz, o que me faz sentir e como me inspira: casa-raíz, casa-voo, casa-semente, casa-tronco, casa-ninho, casa-voo, casa-trampolim, …

as raízes das palavras também me intrigam. fazer casa, assim em inteireza, é possível em tantos momentos: casar.
como diz o querido emídio, casamento há só um: é comigo. e desta relação de inteireza posso construir relações mais inteiras com outros, ir criando casas; ir-mos-nos casando.
sou poli-casada. uau. que luxo.

próximo fim de semana, no Parque das Conchas em Lisboa, arranca o programa Beautiful, Low Tech & DiY Solutions, organizado pela Terra Palha – Estúdio de Arquitectura e Bio-Construção.
o mote  do evento é:

Happening no Jardim com Terrapalha & Amigos! Bioconstrução, arquitetura, desenvolvimento humano, tecnologias apropriadas, técnicas faça você mesmo, tecnologia simples.
Entrada livre, sem pré-inscrição, por donativo, apoiamos a economia da dádiva, a co-criação e a cooperação.

e a commemorare entra aqui, na parte dos & Amigos!
no programa para domingo, dia 22, estarei oficialmente encarregue de partilhar a viva voz a minha experiência na cozinha – que conta com influências macrobióticas e crudívoras, mas é sobretudo muito intuitiva e visceral. será um curioso desafio partilharmos experiências sobre como responder à sintonização com a sabedoria do nosso corpo. junta-te para partilhares as tuas experiências!
o momento para esta partilha será das 12h às 14h30 (picnicaremos pelo caminho – traz comida para partilhar :)
(ver o programa completo: Programa FINAL Beautiful Low Tech.)

desafiada com este convite da Catarina, acelerei o processo do novo livrinho de receitas e surpresa: lá estará ele!
será mais um pequeno fascículo de receitas saudáveis e saborosas, numa fusão do faça-você-mesmo e da portabilidade.
receitas para refeições em movimento ou para pequenos snacks a meio do dia, doces e salgados.

para já deixo-vos uma visão da capa e, sigam até aqui para mais pormenores sobre como o encomendar.
ou, melhor ainda… apareçam no Jardim no domingo!
os livrinhos estarão lá, também à vossa espera :)

capa share

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~

contemplar a galeria de fotos dos últimos meses é simultaneamente inspirador e desafiante.
onde encontro o fio condutor entre a panóplia de temas que abraço?

recordo partilhas em que encontro generosas respostas:
~> que reconhecem o meu olhar, presença e visão do mundo em todas as sessões que partilho;
~> que ficam emocionadas ao ver as suas fotos, e encontrar novos pontos de vista sobre elas mesmas;
~> que os momentos que passamos juntos, em que são protagonistas e especiais convidadas de momentos em que se celebram, acrescentam-lhes uma visão mais confiante de si mesmas;
~> que é bom recordar que merecem atenção;
~> que a inspiração de encontrar novos locais, descobrir novos pontos de vista sobre locais conhecidos, os faz sintonizar com a magia que anda por toda a parte;
~> …

claro que fico cheia de um sorriso e com vontade de seguir acreditando nos meus sonhos de usar estas lentes com propósitos mais e mais inspiradores. é bom inspirar os outros e, confesso, é ainda mais saboroso confiar e entregar-me à possibilidade de me inspirar a mim mesma.
bem-hajam :)
antes de seguir para outras paragens, finalizando entregas de trabalhos e pedidos de orçamentos, repesco algumas sessões para vos deixar por aqui.

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momentos de celebração em círculos mágicos, sublinham-me o desafio de estar presente e usar as lentes numa distância o mais generosa possível.
têm sido muitos os círculos, femininos e mistos, inspiradores e desafiantes. neste escolhemos honrar – com dança, música e poemas – a casa Terra, esta nave cósmica que onde viajamos.

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e
ste outro círculo que tenho tido o privilégio de acompanhar é o do grupo de alunos que tem percorrido o caminho da primeira edição do curso de transição interior. estas fotos são da sessão de movimento que para eles preparei, e de um passeio informal que desfrutamos na serra de Sintra.
na sessão de movimento fomos re~descobrindo *como o nosso corpo nos serve e nos inspira, em cada escolha a que nos conduz por capacitação ou limitação; *como as células armazenam memórias, e *como criativamente as podemos comunicar (em formas, palavras, expressões e/ou movimentos) transmutando-as – em água transpirada, em água lagrimejada de choro e riso. vale tudo : ) [ no futuro divulgarei também as sessões que posso oferecer, a grupos que desejem desfrutar destas visões/ emoções/ descobertas ]
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os alunos têm partilhado como sentem que a corajosa escolha de se conhecerem em profundidade os permite alcançar uma maior liberdade, uma maior autonomia e capacidade de abraçar a vida. se quiserem saber mais sobre o curso, visitem o site do despertutor. está a ser preparado o calendário para a próxima turma, e um muito pedido nível de aprofundamento, aka nível dois.

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fotos de algumas sessões familiares, talvez mais convencionais, em que crianças e adultos desfrutam de passeios em família.
é bem curioso o trabalho de coordenar as expectativas dos pais, os desejos e necessidades dos filhos, os sorrisos desencontrados, as fomes inesperadas.
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a escolha das fotografias a divulgar por vezes requere bastante sensibilidade e algumas das sessões nunca chegam ao blog, já que alguns dos modelos preferem não ser identificados na sua exposição e, algumas das sessões que faço são extremamente íntimas. na minha opinião o grau de intimidade amplia a beleza de cada uma das fotos, e seja talvez nesta relação que as maiores revelações acontecem.
em todo o caso, cada sessão dá-me este privilégio de poder celebrar a imprevisibilidade da vida: sessões em casa, com nódoas e pijamas, são as minhas favoritas.

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e seguindo o tema da família, o verão e regresso de familiares emigrantes pede-me que nos juntemos e celebremos o potencial de estarmos juntos.
de nos inspiramos com o que recebemos dos nossos passados, criando e reforçando laços. gostava mesmo de poder viajar sem combustível, de forma rápida, para num instante ir ali e abraçar braços que tanta saudade sinto…

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verdade que família não é só de sangue, mas também acho inspirador a ”com incidência” da escolha de nascermos neste e não em outro berço, com esta e não outra história partilhada. às vezes mais próxima e colaborativa, outras vezes pedindo distância e tempo. estou a recolher fotos antigas, quero manter vivas histórias que – louvando o imaginário e sonho que alimentaram na minha infância – possam inspirar e informar o meu caminho de descoberta com a descendência crescente. recuperar fotos antigas requere muita paciência e provoca muitos sorrisos!

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termino com algumas fotos de uma aldeia dita cheia de vida, e que neste dia de passeio aparentava estar às moscas. não tarda muito lá estarei novamente, em braços amigos, prontinha a descobrir a famosa movida de uma terra pequena e especial: Barão de São João.
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o sul promete nos acolher com pompa e circunstância : )
espero vir com suficientes fotos para partilhas que inspirem, e se chegaram até ao final desta lenga-lenga, andarem pelo sul nas próximas semanas, e sentirem em vós o anseio de receber uma massagem fotográfica, tentem-me com um e-mail.

quem sabe nos podemos deleitar assim, em mútua inspiração.

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hoje tive o privilégio de madrugar por aqui, numa das fabulosas obras da inspirada arq. Catarina Pinto [Terra Palha – Estúdio de Arquitectura].
e muito rapidamente, aproveito para partilhar umas informais e inesperadas fotografias, como estímulo a conhecerem a construção e o programa:

amanhã, dia 21 de Junho às 17h30: Inauguração da Arte Pública do Próximo Futuro nos Jardins da Fundação Calouste Gulbenkian.
será também o início da Festa da Literatura e do Pensamento do Sul da África a decorrer na Cabana dias 21, 22 e 23 de Junho.

cinema, fotografia, literatura, dança, … África.
alguém acredita que eu vou gostar?!