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francisco

Julho 19, 2017 — 1 Comentário


q
uando preciso escrever, não filtro o idioma com que o corpo se expressa. os meus cadernos têm textos em igual proporção entre português, inglês e castelhano. hoje, quando finalmente algo saiu, saiu em inglês…
sei que precisava dedicar um belo espaço deste virtual ao querido Francisco, podia ter sido o menu especial de degustação de uma noite da Moagem /Mó Veggie Bistro; podiam ter sido imensas das memórias partilhadas; podiam ter sido fotos; … saiu um texto. precisava sair, provavelmente porque também precisaria chegar a algum lugar.
bem hajas querido amigo. vida longa em tanto que nos deixas.

 

 

to overcome trauma, time is gold and space is sacred.
silence becomes my biggest ally and movement jumps into the next level of awareness: to create the opportunity to move slowly, with all presence possible – through the emptiness of space not shared.
to move slowly is hard work, I’d say. harder than the huge amount of duties, requests, demands and never ending to dos of an intense work rhythm.
to stop requires a deeper level of trust.

the tiredness and sadness I feel comes from the place of chosen accumulation, a choice made with the consciousness of its need – now so urgent to dissolve. I had to lose touch with my inner intensity to respond to the outer magnitude. I had to select interactions or be shallow. I felt almost numb for several moments, and on some occasions not really seeing who and what was going around me. I was overwhelmed inside, and to be present to all that was going in meant I was less present outside. I found a new code for interactions: let’s keep it fast and focused. my attention won’t endure long.

so, I want to say that if I was giving you with more silence than normal, less patient than usual, less presence than what you know; if I did not saw you, if I did not recognize you: don’t take it personally. it was, as is, absolutely personal. I’m still very in, still needing to over-select interactions out.

* fires burning, emotions covered, waters contaminated, business opening, awake people sleeping, silence calling, love melting, lack of breath, babies growing, disappointment, fuel consumption, incompetence, events, misunderstanding, ego, chaos, beauty, dreams, reality. death. inner intensity, outer massiveness. *

it’s a big loss for each of us who knew Francisco. it’s a big loss even for the ones who didn’t know him – as his legacy and wisdom could (and surely will) feed so many.
I was privileged to be intimate with the man behind the teacher. I’ve expressed my gratitude several times, and I know well how we could value the exchanges we’ve made in all these years of friendship and work. I was overwhelmed by the connection my body made in the exact same moment the pulse of life moved to another flow. and I look back and remember it was also like this when my dad or my mom passed away. I bow to the big wisdom of this cosmos. my prayers of connection, ease, and love kept pulsing for long – though tears kept running on my face, all my skin seemed to cease her function of separating flesh from the void. I was all over. I had to rub me to feel where I started and where I ended.
and then I choose to resume. Resume all this intensity, to manage duties and internalize the loss: the loss of logic, the loss of control, the loss of expectations, …
more homework in the suitcase, how to propel living fully combined with seeding a bright future – when something like this suddenly shakes so deeply the floor I step in.
there is light in the depths of the sea – I keep “mantraing”.

when Francisco started diving he told me repeatedly how that was his refuge of becoming unknown, invisible. I guess he chose – filled with passion and joy – to master an art of becoming one with the blue, to gaze planktons, dance on seven seas and become finally invisible. but we all know, dear friend, all you’ve given out through your life of service will keep you visible again and again in the daily choices you inspired us to reach. in the legacy that you leave behind.

there is light in the depths of the sea – I keep “mantraing”.
and as I keep on the slow pace of reconnecting the pieces I had locked somewhere inside, I recognise the trembling tearful voice inside questioning: how… with so much that we need light on the surface of this land… I have to go deeper, make it personal and own my loss as I hunger for more light around – less density, more clearness, extra inspiration, more upliftment.

let’s be that what we seek.
and let’s share it with each other.
we, surely, all need it: to give and receive it.

thanks Francisco for being light.
flexible and rooted.

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update:
> homengagem ao Francisco na Assembleia da República, hoje dia 19/07, pelas 17h.

> para quem não teve oportunidade de conhecer o Francisco, ele deixa um enorme legado espalhado em milhares de alunos e concentrado no Instituto Macrobiótico de Portugal. recomendo a leitura atenta dos artigos por ele escritos e aqui partilhados:  artigos.

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p
erdi a conta (que na verdade não fiz ;)) ao número de bocas que tive o prazer de conhecer nos passados meses.
ainda me espanto como passaram a ser centenas, às vezes de uma só vez. qual não será o meu zunzum por, não tarda, a conta saltar para milhares..

yep, aos viajantes de bilhete na mão, ou tripulantes da mesma embarcação, espero ver-vos desfrutar dos comem-mimos no Boom Festival. encontra os mimos em forma de *raw pleasure*, carregadinhos perlins para manter o teu corpo nutrido e afinado: para irradiares ainda mais luz, para dançares sem fim, para amares com mais poder.
espero encontrar a tua Beleza por perto! 

e ala para mais um salto. que as benção me acompanhem, que os nervos esses já andam miudinhos..

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um ano cheio de vontade de sorrir, que façam brotar motivações para contagiar miúdos e graúdos.
que a brincadeira e leveza seja parceira em qualquer aventura, que inspire a fé a fazer voar a dúvida.
vidas cheias de vida!

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um post brevíssimo, dois pontos parágrafo travessão:

– venham ao Terra Gathering, ponto.
vou estar na tenda mais deliciosa, servindo comme-delícias : ]

28, 29 e 30 de Agosto (Lua Cheia),
no Terra Eco Glamping (São Teotónio, Zambujeira do Mar)

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porquê é que me emociono com os resultados do meu trabalho?
porque isso faz parte do que recebo de volta:

** não me canso de olhar cada uma das fotos e de cada vez que atento a um pormenor,
mais me apaixono por quem sou e pelo meu corpo. **

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” As poucas roupas que trazia no corpo, ficaram caídas no chão de madeira e a Isabel, pegou na sua máquina. Os disparos foram acontecendo de forma natural e a Isabel foi se transformando. As suas feições, a postura do corpo, a atitude, mudam.
Fui tentando encaixar o corpo, que a nú, parece tão maior e espaçoso.
Tentei relaxar e desfrutar da boa sensação de ser fotografada com toda a extensão de pele ao desnuo e a sessão foi acontecendo, de forma suave e natural. Numa comunicação quase silenciosa, o meu corpo falava com o da Isabel e a sua máquina captava cada momento.
(…)
A minha essência, a minha natureza, a minha singular beleza. Estavam todas presentes e tão bem registadas. Não me canso de olhar cada uma e de cada vez que atento a um pormenor, mais me apaixono por quem sou e pelo meu corpo.
A Isabel, é mais do que uma mera fotógrafa. Ela e a sua máquina, integram-se no objecto fotografado e uma espécie de alquimia acontecem, dando lugar a fotografias que mais parecem pedaços vivos de gentes e de emoções.”

para lá da troca de números numa contagem de anos, este tempo oferece-me um convite a reflectir sobre o que me conecta com o que desejo e aspiro, para assim poder escolher e criar em concordância – pessoal e profissionalmente.

hoje, amanhã e a cada ano:
possa eu reconhecer o brilho da minha singularidade, e encontrar o divino em cada conexão;
que a fé prevaleça, e me siga conduzindo a casa: a fortaleça da minha nudez.
que nos partilhemos com carinho e respeito, suportando-nos nesta louca aventura de sermos e estarmos vivos.

gratidão.
gratidão.

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da garra brota beleza

Dezembro 28, 2014 — 2 comentários

retirando o pó à beleza que deixei em suspenso, apanho-me emocionada ao encontrar os tesouros que esperam por mim.
sou viciada no belo, em descobrir onde ele parece se esconder quando teimamos não o querer ver.

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esta mulher não é apenas linda. é uma Mulher cheia de garra, e acredito que é mesmo daqui que brota a sua beleza.

seja assumidamente contagiante a garra e a beleza que todos temos, que irrompem de dentro e se reconhecem fora.
que ora nos enchem sorrisos ora se vertem em lágrimas.
que ❨me/nos❩ inspirem a dar forma, corpo e expressão ao que ❨me/nos❩ anima.

{ para marcar uma sessão fotográfica envie-me um e-mail }

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helping a Portrait

Dezembro 8, 2014 — 1 Comentário

o Help Portrait entra na categoria de um dos meus favoritos rituais de Natal.
(sobre edição 2011, edição 2012, artigo em inglês na página oficial: giver/receiver.)

é o juntar de uma família ao redor de algo que valorizo imensamente, serviço à comunidade, conjugado com esta paixão pela fotografia. um dia de magia em dezembro, resultado de vários meses de preparação e articulação entre partes, em que voluntários e beneficiários se sentem ambos ganhadores!

já escrevi várias vezes sobre a honra de fazer parte desta equipa que me resta desta vez partilhar algumas das imagens que tive oportunidade de captar, nos bastidores do zunzum.

mais uma edição magistralmente coordenada: parabéns a toda a equipa com especial louvor ao visionário maestro Tarcício Pontes. e, com esta boa energia, o evento de 2015 já está a mexer :)

ps – nota para qualquer sensível à fotografia que por aqui ande, as fotos continuam todas as ser espremidíssimas num (milagreiro) iPad.

no corpo

Setembro 22, 2014 — Deixe um comentário

olhando para o caminho que vou percorrendo, nem sempre lhe encontro nexo.
sei que ele anda por aqui, e por mais vontade de descansar na confiança desta existência, muitas vezes a incapacidade de o reconhecer leva-me ao desalento.
a sentir-me perdida, desorientada, sozinha.

é bom saber que parar faz parte do caminho, é bom também ter ferramentas que nos ajudem a reconhecer a riqueza destes ciclos: parar, fluir, construir, destruir, renascer, acreditar.

sei que não sou só eu que tenho passado por fortes momentos de descrença, em mim e no ser humano em geral. de questionar propósitos pessoais, relacionais, existenciais. sou mestre a enrolar-me nas minhas próprias novelas, recambolescos filmes que passam na minha cabeça.
felizmente, algures no meio deste processo de crescimento, rendi-me ao processo de escutar o corpo. de ir aprendendo a abrandar a insana narrativa e confiar na realidade. recordar que o pensamento é virtual, toda a existência material é concreta: pernas, mãos, barriga, acção, quietude, dor, prazer, ritmo, pulsar, …

partilho umas fotos ( também editadas em ‘versão tablete’ ) de uma das minhas práticas favoritas para esta reconexão ao corpo, ao sentir, ao real. uma prática que me liga ao meu centro, e daí ao que sinto ser o Centro. que me liga à unidade, a confiança, à alegria de estar viva e na Vida. que me ensina a render-me, a entregar-me na presença, no sentir. cada vez um pedacinho mais.
recordo com um largo sorriso um raio de iluminação que me invadiu todas as células, num sentir extático, no pico de uma dança: * uau, que simples! eu sou perfeita a ser eu mesma! * e, ao escutar esta tradução corpo-palavras, a cabeça apressou-se a responder-me: * merda, mas eu não sei quem sou.. e para ampliar o desafio estou em constante mudança.*
e está tudo bem não saber, e confiar e avançar. Usar as sensações como referência, explorar as emoções. é um treino, um campo seguro para experimentar, para me entregar ao sentir por completo. e a escutar, a criar espaço para receber inspiração.
isto é parte do que esta prática é para mim: agora. o que será que a ti te poderá trazer?

abaixo um texto sobre a prática de dança que me apaixona: 5 Ritmos (www.5rhythms.com).
por aqui por Portugal a prática é bi-semanal, em Lisboa e Sintra. mais info aqui: 5 Ritmos de Mudança.

( agradeço à Mariona querer ser fotografada e, assim, rever-se a beleza que emana quando baila. )

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Dançar os 5Ritmos é uma prática dinâmica que concilia, na mesma respiração, o trabalho físico e meditativo. Os Ritmos ensinam-nos que a vida é energia em movimento, permitindo que nos libertemos de ideias estagnadas sobre pessoas, lugares, objectos ou conceitos.

Diz-se que uma fotografia diz mais que mil palavras. Uma dança profunda comunica mais que um milhão. Ao dançar os 5 Ritmos descobres uma linguagem de movimento livre, enraizada em renovadas e inesperadas formas de te moveres: um vocabulário visceral e altamente pessoal.

Ao dançar os 5 Ritmos podes reconectar-te a percepções e memórias; formas e gestos; sintonizar-te com o instinto e intuição. Trazem até ti sugestões de como expressares criativamente agressividade e vulnerabilidade, emoções e ansiedades, limites e efusões. Reconectam-nos aos ciclos de nascimento, morte e renovação, ao espírito de todas as coisas viventes. Trazem-nos de volta à sabedoria dos nossos corpos, despertando o poder curativo do movimento.

Ao dançar os 5 Ritmos o corpo torna-se o nosso caminho espiritual.
http://www.5rhythms.com

 

Ao dançar os 5 Ritmos o corpo torna-se o nosso caminho espiritual.

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~ all you need is love, and the mastery of time ~

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* que quando as palavras não nos bastam, possamos usar outras linguagens que sublinhem o mais nos importa. *

 

. chegando .

Julho 4, 2014 — Deixe um comentário

de onde nunca se sai:
* cuando miras a los ojos y dejas entrar al otro en ti y tú entras en el otro y te haces uno.
esa relación de amor es para siempre, ahí no hay hastío. *
abuela margarita 

que a alegria de nos sabermos e sentirmos vivos nos recorde o imenso potencial de criar beleza e commemorare : )


( gracias Ramon por las fotos, gracias abuela por ti )

 

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Um fotógrafo é como um bacalhau, que produz um milhão de ovos para que um atinja a maturidade.  
George Bernard Shaw

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A photographer is like a cod, which produces a million eggs in order that one may reach maturity. 
George Bernard Shaw

verbo descobrir

Fevereiro 14, 2014 — Deixe um comentário

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verbo
Palavra com a qual se afirma a existência de uma acção.

descobrir

verbo transitivo
1. Achar o ignorado, o desconhecido ou o oculto.
2. Fazer um descobrimento.
3. Chegar a conhecer.
4. Notar.

verbo transitivo e pronominal
5. Destapar.
6. Mostrar.
7. Manifestar; revelar.
8. Avistar; ver; alcançar com a vista.
9. Inventar.

verbo intransitivo
10. Aclarar, clarear a atmosfera; romper (o sol) as nuvens.

verbo pronominal
11. Tirar o chapéu (ou o que se tem na cabeça).
12. Cumprimentar (descobrindo-se).
13. Expor-se demasiado apresentando muito corpo (Esgrima).

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nem sempre a ajuda mais necessária é visível e palpável.
após o tsunami do Japão, tive o previlégio de acompanhar a equipe da Fortunate Blessings Foundation para dar formação aos voluntários que acompanham crianças e famílias vítimas de incalculáveis perdas, oferecendo-lhes ferramentas de trabalho somático para desbloqueio de traumas.
para quem não viu as fotos, recordo-as aqui ^

neste momento a equipe está nas Filipinas, nas zonas afectadas pelo tufão Haiyan. mais uma vez, nem sempre a ajuda mais necessária é visível e palpável e, nem por isso, menos urgente.

post Via Flickr:
@ Japan with FBF Trauma Team
www.fortunateblessings.org

ciclos de tempo

Janeiro 6, 2014 — Deixe um comentário

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mmmmm…., será que já está na hora de ____ ?

aprendi que a velocidade do tempo é constante, e que a percepção do tempo variável.
descobri que o tempo pelo qual já passei é marcado mais por memórias intemporais do que por datas, e que a noção de um tempo futuro vive da dimensão dos desafios a que me atrevo sonhar.

olho ao meu redor e percebo que existe um mundo que me convida a seguir um tempo mecânico.
e olho cá dentro e sinto a existência do meu mundo que me pede que siga um tempo orgânico: feito de ciclos, de memórias, de emoções, de desejos, de transformações.
há várias horas que tenho muito movimento interno para sentir, e a dedicação à presença do meu mundo orgânico parece-me criar atrasos no mundo mecânico.

agradeço permitir-me a este tempo que para mim é mais real, e agradeço a compreensão de quem o tem respeitado.
e faço votos que nesta quadra de celebrações de datas possamos também encontrar a inspiração para celebrar e honrar a organicidade dos ciclos, a capacidade de estarmos alinhados com o que acontece aqui e agora – em cada um de nós. neste espaço/tempo não reconheço atrasos, apenas presença.

como diz um grande Amigo: ”até sempre, se não for antes” ♥

ciclos partilhados

Dezembro 17, 2013 — 1 Comentário

 

uma belíssima família que tenho a honra de acompanhar.
bem hajam por me convidarem a convosco celebrar os ciclos :)

 

 

 

 

darmo-nos à luz

Dezembro 12, 2013 — 4 comentários

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não me recordo como foi para mim mas imagino que para um bebé o parto possa ser visto como um processo de morte. termina a sua vida intra-uterina e começa a aventura de respirar pelos seus próprios pulmões.
para a mãe, também imagino que o parto seja um processo de morte: termina a fase em que gerou no seu ventre um ser para corajosamente dá-lo à luz. parece-me ser uma enorme expressão de Amor: darmos alguém à luz.

talvez esta relação entre morte e nascimento vos pareça disparatada. para mim são inevitáveis: a relação que temos com estas dinâmicas revelam-se como oportunidades de expressão de um Amor inteiro.
e se cada dia morremos e nascemos mil vezes, temos sempre a oportunidade de nos voltarmos a dar à luz, de sermos luminosos, de inspirar-mos os outros a o serem também.

inspira-me a coragem desta super mãe, que estará prestes a abraçar pela primeira vez a pequena A.
parabéns querida C, bem hajas pela luz que te permites irradiar.

Clearly all fear has an element of resistance and a leaning away from the moment. Its dynamic is not unlike that of strong desire except that fear leans backward into the last safe moment while desire leans forward toward the next possibility of satisfaction. Each lacks presence. Each is a form of attachment…. We say it is death that causes all this fear, but it’s really caused by our attachment to past fears. Especially in times of stress, we need to follow well-worn paths and patterns. Our unwillingness to enter each moment fully, without judgment or the need to control it, simply produces more fear and resistance to that fear. * stephen levine

 ~

Todo o medo tem um elemento de resistência e uma tendência para nos afastar do presente. A dinâmica não é diferente da que ocorre quando surge um forte anseio: no caso do medo há uma inclinação para o passado, para um anterior momento de segurança, enquanto no anseio a inclinação dirige-se para o próximo momento de possível satisfação. Uma falta de presença, uma forma de apego. Não é a morte em si que traz medo e sim o apego aos nossos medos do passado. Especialmente em momentos de stress, sentimos necessidade de recorrer a padrões já conhecidos. A nossa resistência a entrar em cada momento em inteireza, sem julgamentos ou necessidade de controlo produz mais medo e resistência. * stephen levine

 

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neste privilégio de trabalhar com a intimidade como paixão declarada, enquanto estou operativamente criando imagens ou desenhando contextos, estou simultaneamente em reflexão sobre o que esta relação artista-objecto me desperta, me inspira ou cataliza.
é quase como estar a trabalhar em distintos planos ao mesmo tempo, como estabelecendo uma conversa comigo mesma sobre as emoções e ideias que me apanham pelo caminho.

no passado fim de semana fotografei pela primeira vez um casamento entre dois homens.
foi para mim uma honra ter sido convidada para esta tarefa de captar a magia de nos autorizarmos a celebrar quem somos, questionando os condicionamentos que fomos aceitando.

foi uma cerimónia muito bonita e emotiva, que me desafiou mais uma vez a rever como me autorizo eu a expressar quem sou ou o que sinto.
deixo-vos a minha certeza – não há condicionamento externo mais forte dos que eu mesma me imponho.

sinto que vivo e amo cada relação que tenho de uma maneira única, que inclui mais ou menos campos de expressão, mais ou menos contacto.
tenho vindo a questionar o que determina a amplitude destes campos que ora se tocam, se abraçam, se acenam, se envolvem…  e segue sendo uma aventura maravilhosa descobrir que, se num determinado momento e contexto escolho alargar e autorizar mais expressões, dá-se um efeito exponencial e com impacto em todas as relações – como se fosse recordando novos dialectos, que passam a estar disponíveis quando o momento ou a vontade assim determinam.

queridos noivos, bem hajam por me permitirem vivenciar este dia convosco, varrer mais uns cantos da minha casa interna de emoções e aspirações.
celebro aqui também as relações que a vida me oferece, seja na dinâmica de aceitar desafios e desentendimentos ou no deleite de encontrar comunhão, visão e expansão.

 

 

cada sessão de fotos para mim é uma oportunidade de celebrar a vida e beleza de cada pessoa presente (a minha também :).

delicia-me especialmente trabalhar com a magia resultante de uma presença ”imperceptível” e a intimidade declarada.
gosto de fazer o possível por me manter invisível ao que naturalmente ocorre, sem abdicar do campo de proximidade que a relação propõe.
algumas sessões pedem mais de invisibilidade, outras mais de intimidade.

gosto de me manter invisível para poder captar o que ocorre espontaneamente, sem o efeito ”sorriso para a câmara”, sem o efeito”encolhe a barriga para pareceres mais elegante” ou ”estica o peito para ficares mais alto”.

e gosto de trabalhar a intimidade exactamente pela mesma razão, pelo que somos espontaneamente.
intimidade para mim é a crueza presente, sem querer parecer o que não é ou esconder o que é.
sou íntima comigo na relação da descoberta de quem sou, no processo de procura do que me motiva a escolher a e não b, a fazer c e não d, a aspirar z e não t, a querer x e também y.

ao te oferecer a minha intimidade, mostrando-me como sou, descubro-me: quem sou eu perante uma outra presença, quem sou eu perante a tua presença? ao te oferecer a minha intimidade, conheço-te: quem escolhes tu ser perante a minha presença?

trabalhar com intimidade amplia-me as oportunidades e possibilidades de descobrir quem somos.
e para mim este é o caminho para encontrar a verdadeira beleza que todos carregamos. a beleza da relação com a nossa realidade, com o nosso potencial presente – desejoso por ser reconhecido e infinitamente ampliado.

esta é a descoberta que me entusiasma nesta relação: invisibilidade e intimidade.
e
talvez seja este o segredo da minha fotografia.

por ter o prazer de partilhar intimidade com pessoas muito diferentes, com visões da vida bem distintas e em contextos singulares, o trabalho fotográfico aqui exposto reflecte obrigatoriamente a relação que cada fotografado tem com a exposição da sua intimidade – com o que se sente confortável, nos determinados momentos ou contextos.

voto que o que aqui exponho possa servir de inspiração para um contágio pela autorização de sermos nós mesmos, sozinhos ou acompanhados, perto ou longe de uma câmara. e uma ode que honra simultaneamente o gosto de declararmos sem reservas quem somos, onde estamos, como estamos, porque estamos… e  o recato de nos reservarmos, de guardarmos como um tesouro escondido pérolas da nossa experiência.

esta é a intimidade que torno visível hoje: o meu entusiasmo por cultivar esta dinâmica de intimidade em tudo o que me passa pelas mãos, com todas as mãos que aperto, com todas as mãos que me tocam, que me acenam, que me abraçam, que me inspiram.

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hoje tive o privilégio de madrugar por aqui, numa das fabulosas obras da inspirada arq. Catarina Pinto [Terra Palha – Estúdio de Arquitectura].
e muito rapidamente, aproveito para partilhar umas informais e inesperadas fotografias, como estímulo a conhecerem a construção e o programa:

amanhã, dia 21 de Junho às 17h30: Inauguração da Arte Pública do Próximo Futuro nos Jardins da Fundação Calouste Gulbenkian.
será também o início da Festa da Literatura e do Pensamento do Sul da África a decorrer na Cabana dias 21, 22 e 23 de Junho.

cinema, fotografia, literatura, dança, … África.
alguém acredita que eu vou gostar?!

o tempo passa, os amigos multiplicam-se :)
que alegria acompanhar o crescimento tão único de cada um destes seres – que num ápice galopam centímetros, gramas, fraldas e choros.

~ parabéns ~

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( papás, há que carregar na foto do vosso respectivo rebento para acederem às restantes fotos :)

o pulsar visceral pelo movimento e a tremenda riqueza que reconheço na informação que me oferece, faz-me seguir apaixonada pelo mapa que os 5 Ritmos oferecem, ter tido a oportunidade de mergulhar intensivamente na prática, e querer continuar a espremer toda a sabedoria que a Gabrielle Roth nos deixou, em tão diversos registos.

cada momento em que tenho oportunidade de mergulhar nesta sabedoria, com o corpo ou com a mente, encontro inúmeras inspiraçãos para o meu dia-a-dia. deixo aqui uma tradução livre de um texto em que a Gabrielle apresenta sucintamente a raiz do que ao mundo ofereceu, e algumas fotos aleatórias das alegorias que criámos durante as práticas deste ano lectivo. cada um dos presentes em cada sessão sabe o quão mágicas e inspiradoras são estas criações – quem sabe vos contagiamos com a nossa vibração apaixonada.

A minha arte é a de inspirar pessoas a transformarem-se de dentro para fora, transformarem o seu sofrimento em arte, a sua arte em consciência, e a sua consciência em acção.

O movimento é o meu medicamento, a minha meditação, a minha metáfora e o meu método – uma linguagem viva na qual podemos confiar para que nos diga a verdade sobre quem somos, o que somos, com quem estamos, e para onde nos dirigimos.

E assim criei um caminho de dança sem fronteiras, sem limites, sem passos, sem princípios, sem fim … um centro em movimento.
(…)
Acredito no poder do movimento, na sabedoria da lei da gravidade, no vazio do verdadeiro amor.

No facto de que não há libertação que não inclua o corpo, na inexistência de uma ascensão que não aquela a que acederemos todos juntos, nenhuma maneira de nos desarmarmos que não seguindo um ritmo, nenhum modo de conhecermos a nossa profundidade se não abraçando a escuridão.

E na mais escura sombra da mais brilhante luz, está a dança que nos move a todos.

as sessões neste momento estão em modo pausa, e o pulsar pela sua nova expressão é forte. se ainda não experimentaram e querem saber mais sobre os eventos e retomar das sessões, enviem PF um email para 5rhythmsportugal@gmail.com, ou directamente para mim que farei cuidado em vos encaminhar toda a informação.

que a vossa intenção de se juntarem à prática seja também mais um contributo para a enraizarmos por cá.

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juntos, ao centro

Abril 2, 2013 — 1 Comentário


e
sta quadra festiva foi desfrutada bem ao centro do país, junto a Vila de Rei – o centro geodésico de Portugal.
a chuva brindou-nos com a possibilidade de alguns passeios, permitindo-nos caminhar ao longo do chamado ”o mais profundo vale”.
água com fartura, árvores em potência, verde a perder de vista.

foram uns dias muito bem passados, onde os ausentes fizeram-se sentir na curiosidade do que poderiam fazer presente, no desejo de que uma próxima reunião os contenha também.

recuperados alguns jogos de infâncias anteriores, descobrimos em desenhos antigos oportunidades de largas gargalhadas. quem se lembra do Pictionary? lá em casa era Dicciopinta (no que parece ser uma versão brasileira) que patrocinou, pela sua peculiar escolha de palavras, ainda mais momentos non-sense. vivam as aves e as avés, os despidos e os amores.
em rabiscos, teatros, palavras inventadas, iguarias de mastigar, néctares com e sem borbulhas, foram dias inesquecíveis.

[ para a família, a galeria completa segue-se através deste link: PASCOA 2013. ]

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sempre fui particularmente sensível ao sentido de família, de comunidade, de grupo, (ou tribo, ou clã, ou alcateia, matilha … uma mistura de comunhão e construção conjunta ) e momentos como este trazem-me inspiração para os tornar mais recorrentes no quotidiano.
às vezes é possível sentir-me assim em encontros espontâneos, não necessariamente longos. descobri que a base do que me faz sentir em profunda comunhão é a minha vontade de aceitar e criar. e às vezes consigo, outras vezes não.

estas fotos são de outra família, com quem também tive o privilégio de passar uns belos dias há umas semanas atrás.
é o extraordinário grupo de alunos da primeira edição do Curso de Transição Interior, orientado pelo José Soutelinho (também conhecido por despertutor).

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sou largamente abençoada pela enorme família que tenho, de sangue e de coração – ambas espalhadas pelos quatro cantos do mundo.
já havia partilhado esta frase no facebook, chegada assim mesmo do Japão, e que me permitiu, mais uma vez, conectar com o sentir poderoso das memórias bem guardadas: * a saudade existe não porque estamos longe, mas porque um dia estivemos juntos. *

bons e frutuosos ajuntamentos!


estou em pulgas para entregar estas recordações aos belos e sorridentes noivos.
foi um grande desafio estimula-los a, em tempo relâmpago, ganharem um pouco mais de à-vontade com os clicks, e um deleite revelar os mimos que se permitiram oferecer. mesmo num pacote pequenino podemos guardar preciosas recordações, que nos inspiram a re~contar histórias, relembrar sonhos, despertar intenções…

foi uma festa a rigor, preparada pelas mãos da Maria e Diogo da Quinta de São Miguel da Corujeira. bem hajam pelo belo acolhimento!

felicidades para todos e que nos animemos a commemorar muitas e muitas vezes.
(para os convidados, o link de acesso à página privada é por aqui: área privada.)

a way of feeling

Fevereiro 25, 2013 — Deixe um comentário


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