Archives For montanha

. chegando .

Julho 4, 2014 — Deixe um comentário

de onde nunca se sai:
* cuando miras a los ojos y dejas entrar al otro en ti y tú entras en el otro y te haces uno.
esa relación de amor es para siempre, ahí no hay hastío. *
abuela margarita 

que a alegria de nos sabermos e sentirmos vivos nos recorde o imenso potencial de criar beleza e commemorare : )


( gracias Ramon por las fotos, gracias abuela por ti )

raízes

Novembro 21, 2013 — 1 Comentário

DSC_2381-imp

por mais voos que dê, de quando em quando urge-me a necessidade de regressar às raízes.
não sei explicar onde elas estão, suponho que talvez nos abraços das gentes com quem cresci, na terra que acolhe os que me deram luz.
ou quem sabe seja também um conceito de interioridade: permitimos-nos estar em contacto com as nossas raízes em resposta a estímulos que determinadas relações nos inspiram – relações com locais, gentes, emoções, estados de espírito.

uma curta viagem rumo ao norte permitiu-me desfrutar de re-ligações das quais sentia saudades, em tempo em que as folhas dançam também o seu movimento até à terra. visitar locais cheios de memórias, caminhos, pedras, edifícios que me falam em dialectos que só eu posso decifrar. que falam a cada um que por eles passa se estivermos dispostos a escuta-los. oiço tocar os sinos da igreja, abrem-se portas de capelas privadas, corações e pedras serpenteiam o caminho, sou acolhida em casa onde bate a chuva nos vidros, se assam castanhas, partilha-se à mesa conversas que se prolongam, e mimos que se arrastam.

e sinto também a minha realidade de sentir que casa é, para lá de um espaço geográfico, onde nos permitimos aterrar inteiros, habitando-nos. onde deixamos cair máscaras e papéis – há abraços que são casa, músicas, cheiros, espaços, estradas, tendas, bancos de jardim. habitar-me com esta presença traz-me a possibilidade de dar e receber mais, e de reconhecer o que cada um destes espaços me traz, o que me faz sentir e como me inspira: casa-raíz, casa-voo, casa-semente, casa-tronco, casa-ninho, casa-voo, casa-trampolim, …

as raízes das palavras também me intrigam. fazer casa, assim em inteireza, é possível em tantos momentos: casar.
como diz o querido emídio, casamento há só um: é comigo. e desta relação de inteireza posso construir relações mais inteiras com outros, ir criando casas; ir-mos-nos casando.
sou poli-casada. uau. que luxo.

por magia, pelo mistério das com~incidências, porque ainda há quem acredite em milagres, e porque assim se quis que assim fosse…
há umas semanas atrás, ainda em dias frios e com especial companhia, descobri este local: zugarramurdi.

.

localizado no país basco, entre gloriosas montanhas, desta localidade conta a história que foi um dos principais locais de actividade ‘brujeril’.
o que a torna mais conhecida e visitadas são as magníficas covas Sorginen Leizea (nome basco que significa cova das bruxas), escavadas pelo fluxo da água ainda corrente – a regata do inferno, e onde a cavidade maior conta com aproximadamente 120 metros de comprimentos e 12 de altura.
a cavidade maior é também chamada de palco do inferno e foi rica de inúmeros rituais, celebrações e práticas de medicina natural pagã, profundamente enraizados na cultura local.
esta zona foi também berço dos rituais chamados de aquelares ou sabbats, onde as bruxas se juntavam e celebravam as suas capacidades de viajar entre mundos, os polémicos pactos com o diabo.

com a invasão do domínio eclesiástico, este local foi marcado por massacres que visavam controlar o poder e exterminar o paganismo, criando uma onda de pânico por uma inquisição que necessitava de impor a sua autoridade.

zugarramurdi é epicentro desta informação, com um museu dedicado a contar a história das suas gentes e das provações por que passaram. são celebradas todos os anos festividades em louvor à história e valor que recuperaram, sem o folclore associado a uma fantasia de bruxas. louvando a sabedoria de uma cultura e práticas ancestrais, que ainda pulsam as suas verdades.
(zugarramurdi é alvo de destaque no documentário bloody tales of europe, da national geographic.)

para além da história, é um local de uma beleza e energia incríveis.
seja qual for a versão da história que escolhamos apadrinhar, a dos oprimidos ou opressores, haverá a sabedoria da natureza, do local, das células de vida que em todos pulsa (onde homem e natureza somos um) que transpirará a verdade que nos faz sentido trazer à nossa vida.
para mim, para além do deslumbre da visita, esta passagem trouxe-me fagulhas para a celebração do nosso potencial, inerente a cada expressão de vida, da nossa capacidade de conexão, do potencial da celebração em irmandade. mais do que uma cova, este espaço apresentou-se-me como uma passagem, um caminho que podemos sempre percorrer marcado pela escolha da margem que queremos habitar, o caminho do abraçar a sombra e a luz, dor e prazer.

talvez para a próxima me dedique menos a estes sentires e mais a fotografar…
bem hajas Amala por me fazeres levar a máquina na mágica caminhada que nos levou até lá!
o país basco não pára de me surpreender…

.