Archives For quotes

flores ser

Março 16, 2017 — 2 comentários

florescer é um dos verbos principal da primavera, o período do re-nascer e da energia ascendente. os dias mais luminosos alentam o espírito, o apetite tem tendência a diminuir, e o corpo prepara-se para uma limpeza natural dos excessos acumulados no período de frio e hibernação.

ao potenciar a eliminação do excessos, das camadas que já não nos são úteis, permitimos-nos estar mais permeáveis ao novo, e – quiçá – alcançar uma visão mais clara.
comidas mais leve, menos cozinhadas, germinadas, floridas. lembretes que nos despertem a habilidade fazer acontecer a primavera também de dentro para fora.

a quem não soa bem a proposta de se sentir mais leve e cheio de luz?
deste lado, finalmente ressurgindo, estamos em pulgas.

[ contagem decrescente para um grande equinócio: 3 dias, 17 horas, 10 minutos. :] 

☽ ☾
** She is the source of all life, the mover of blood, the breather of breath, the flow of the river’s water.
The Feminine is life. **
David Deida

She calls to us to recalibrate and restore, as we rise into our real work.
May faith be fed, may beauty nurture the essence of your body.
☾ ☽

DSC_8756-imp

* todas as fotografias são memento mori. tirar uma fotografia é participar na mortalidade, vulnerabilidade, mutabilidade de outra pessoa (ou objecto). é precisamente ao fazer um corte e congelar um momento, todas as fotografias são testemunhas do implacável derreter do tempo. * Susan Sontag

.

esta inevitabilidade, a certeza de que tudo é impermanente, poderá inspirar-nos a saborear com mais devoção cada presente?
possa o passado nos inspirar a avançar, o derreter do tempo não só é implacável como imprevisível.

 .

all photographs are memento mori. to take a photograph is to participate in another person’s (or thing’s) mortality, vulnerability, mutability. precisely by slicing out this moment and freezing it, all photographs testify to time’s relentless melt. * Susan Sontag

testemunho ♡

Outubro 1, 2013 — 10 comentários

DSC_6291-imp

na semana passada, nas caixas de entradas de mensagens recebidas, encontrei vários motivos para sorrir de orgulho – emoção com a qual não me sinto lá muito à vontade. embalada, para além de me desafiar a sentir orgulhosa, dupliquei a dose e dispus-me a partilha-lo!
saindo ainda mais da zona segura, arriscar até achar que me estou a promover…
ora cá vai:

há uns anos atrás tive oportunidade de dar assistência a um fotógrafo que acabara de conhecer. foi um trabalho pontual que, para a minha curva de aprendizagem, vi como uma oportunidade de alargar o meu léxico – fomos fotografar empresários engravatados na rigidez do ”encolhe a barriga, estica o peito, levanta o queixo, inspira, sorri”.
o G. regressou pouco depois à sua terra natal, do outro lado do globo, seguindo a sua carreira e percurso longe de um circuito que nos voltasse a juntar.

na semana passada, o G. contactou-me na vontade de voltar a ver as minhas fotos e eis que me ofereceu estes sorrisos (traduzidos):

* que linda sensação transmitem as tuas fotos e teu trabalho (que é múltiplo) faz tempo que não me sentia tão inspirado e dá-me uma nova motivação para continuar na fotografia – com uma nova óptica… 

* todas as referências que o meu editor me enviou para fazer este novo livro, a que mais gosto, a que mais inspira, a mais chega a meu coração e a que mais acho chegará ao publico alvo.. é o que vi hoje de teu trabalho.. é puro, belo e verdadeiro… tens uma sensibilidade maravilhosa… fez-me sentir saudades dos tempos quando quis ser fotografo :) 

* sinto pena não ter tido mais tempo para partilhar estas experiências da vida e da fotografia contigo… Até  me senti estúpido de te ter convidado para me ajudar aquela vez naquele trabalho, quando sinto que seria teu assistente feliz!

* vi o teu blog, site, e links  e tudo vem do coração… sinto algo novo em mim por te ter contactado e ter visto e sentido através do que escreves, desenhas e fazes….. estou grato, estou feliz e és uma pessoa maravilhosa que me orgulho de conhecer.

* acabo de mostrar o teu trabalho ao editor da revista Wain e parabéns! ele concorda que são fantásticas referências! 

 

e pronto, desculpem lá o ”lamber as minhas botas”.
junto isto aos feedbacks que tenho recebido dos novos livros, das sessões que vou entregando, das partilhas motivadoras que vou tendo e …. sorrio.

é verdade:  eu ponto o coração no que faço e acontece-me com frequência, ainda hoje assim foi, estar a ‘revelar’ fotos de lágrimas nos olhos – emocionada pelo que o momento me faz sentir, e devotada ao laço de relação de amor com que cuido do pedaço de confiança, relação e revelação que cada foto me oferece.

na dança das emoções que a vida nos oferece, reflectindo sobre como os caminhos nos levam de sintonia em sintonia, tenho-me sentido cada vez mais privilegiada por reconhecer, autorizar e expressar prazer naquilo que faço.

e gosto de dizer que gosto do que gosto…
e reconheço que gosto de ouvir o que sentem sobre o meu trabalho: motiva-me para continuar, para melhorar, para arrebitar, para fundamentar, para divulgar, para contagiar, …

de alguma maneira, parece-me que reina um pudor em assumir o que sentimos.
como se isso nos enfraquecesse, ou como se o sermos insignificantes ao que nos rodeia nos fizesse superiores.
como se nos mantermos distantes nos mantivesse seguros… será?

retomo o início do que escrevia e agradeço o crescente processo de me autorizar a sentir, e a expressar o que sinto.
até o orgulho, quem diria….

será que vos contagio? commemorem e commemorem-se.
a mim sabe-me bem ver-me-nos a sorrir : ) 

 

(^ bem-hajas querido Rui pela fotografia ao sorriso ^)

copy-novos-cabecas-13.png

click people-01

DSC_1653*10062013-imp

 

enquanto ponho trabalhos em dia, carregada de mágicas sessões por trazer à luz, encontro as fotos da passagem de uma amiga por nossa casa que trouxe consigo este livro: The Spell of the Sensuous.
uma sensível e sensitiva visão sobre a relação do homem e o seu meio ambiente, onde o autor manifesta o tremendo impacto do contacto com a natureza e os elementos – sublinhando que a visível gradual ausência desta relação está na raiz de muitos dos problemas e/ou instabilidades actuais.

acabada de chegar da montanha, não podia vibrar mais com esta citação:

* Caught up in a mass of abstractions, our attention hypnotized by a host of human-made technologies that only reflect us back to ourselves, it is all too easy for us to forget our carnal inherence in a more-than-human matrix of sensations and sensibilities.
Our bodies have formed themselves in delicate reciprocity with the manifold textures, sounds, and shapes of an animate earth – our eyes have evolved in subtle interaction with other eyes, as our ears are attuned by their very structure to the howling of wolves and the honking of geese.
To shut ourselves off from these other voices, to continue by our lifestyles to condemn these other sensibilities to the oblivion of extinction, is to rob our own senses of their integrity, and to rob our minds of their coherence.
We are human only in contact, and conviviality, with what is not human. *
The Spell of the Sensuous: Perception and Language in a More-Than-Human World, David Abram

 

 

as fotos foram feitas em Sintra, no Santuário da Peninha e em Adrenunes.
que me inspire também a viver mais lá fora, em ligação, escuta e celebração desta tremenda casa-nave em que vivemos.

o pulsar visceral pelo movimento e a tremenda riqueza que reconheço na informação que me oferece, faz-me seguir apaixonada pelo mapa que os 5 Ritmos oferecem, ter tido a oportunidade de mergulhar intensivamente na prática, e querer continuar a espremer toda a sabedoria que a Gabrielle Roth nos deixou, em tão diversos registos.

cada momento em que tenho oportunidade de mergulhar nesta sabedoria, com o corpo ou com a mente, encontro inúmeras inspiraçãos para o meu dia-a-dia. deixo aqui uma tradução livre de um texto em que a Gabrielle apresenta sucintamente a raiz do que ao mundo ofereceu, e algumas fotos aleatórias das alegorias que criámos durante as práticas deste ano lectivo. cada um dos presentes em cada sessão sabe o quão mágicas e inspiradoras são estas criações – quem sabe vos contagiamos com a nossa vibração apaixonada.

A minha arte é a de inspirar pessoas a transformarem-se de dentro para fora, transformarem o seu sofrimento em arte, a sua arte em consciência, e a sua consciência em acção.

O movimento é o meu medicamento, a minha meditação, a minha metáfora e o meu método – uma linguagem viva na qual podemos confiar para que nos diga a verdade sobre quem somos, o que somos, com quem estamos, e para onde nos dirigimos.

E assim criei um caminho de dança sem fronteiras, sem limites, sem passos, sem princípios, sem fim … um centro em movimento.
(…)
Acredito no poder do movimento, na sabedoria da lei da gravidade, no vazio do verdadeiro amor.

No facto de que não há libertação que não inclua o corpo, na inexistência de uma ascensão que não aquela a que acederemos todos juntos, nenhuma maneira de nos desarmarmos que não seguindo um ritmo, nenhum modo de conhecermos a nossa profundidade se não abraçando a escuridão.

E na mais escura sombra da mais brilhante luz, está a dança que nos move a todos.

as sessões neste momento estão em modo pausa, e o pulsar pela sua nova expressão é forte. se ainda não experimentaram e querem saber mais sobre os eventos e retomar das sessões, enviem PF um email para 5rhythmsportugal@gmail.com, ou directamente para mim que farei cuidado em vos encaminhar toda a informação.

que a vossa intenção de se juntarem à prática seja também mais um contributo para a enraizarmos por cá.

bereniceabbott_lowres

* to see *

a way of feeling

Fevereiro 25, 2013 — Deixe um comentário


compendium_8-580x580

DSC_8946*30062012

* Sometimes I arrive just when God’s ready to have someone click the shutter. *  Ansel Adams 

* You don’t make a photograph just with a camera. You bring to the act of photography all the pictures you have seen, the books you have read, the music you have heard, the people you have loved. * Ansel Adams