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amlou

Outubro 25, 2016 — Deixe um comentário
amlou é uma mistura de iguarias locais marroquinas em forma de pasta/manteiga/creme/delicia: amêndoa tostada, óleo de argan e mel. um alimento bastante energético, que os locais utilizam sobretudo na confecção de pastelaria ou um pedacinho ao pequeno-almoço, no pão. ou com o chá a meio da tarde.
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na zona centro-sul de Marrocos, o óleo de argan é um dos recursos mais explorados e valorizados. a argânia (árvore do argan) garantiu – ao longo de centenas de anos – sobrevivência de gerações de berberes, e serve como uma natural e eficaz barreira à desertificação.
das árvores retiram-se os frutos para a produção de óleo de argan, madeira para combustível, e são recurso alimentar para as cabras que fazem parte também do equilíbrio de sustento das famílias locais.
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o óleo de argan é tradicionalmente produzido por técnicas que passaram através de gerações, de mães para filhas: as mulheres douar. é um trabalho intenso que começa pela colheita manual dos frutos nas árvores, um período de seca ao sol e a extração do fruto/semente.
para efeitos culinários as sementes são ligeiramente tostadas, prensadas em mó de pedra e filtradas.
para a cosmética, as sementes são prensadas a cru.
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actualmente, e como resposta à desertificação (com uma fraca valorização do argan não havia cuidado em manter as florestas, que foram sendo abatidas para lenha/combustível), à desvalorização dos recursos locais e ausência de postos de trabalho, foram criadas várias comunidades femininas que garantem a produção de qualidade, usando métodos tradicionais e mão de obra feminina e local. desta forma, preserva-se qualidade e a sabedoria desta práctica ancestral, criam-se e mantém-se postos de trabalho, gerando autonomia financeira para mulheres de faixas sociais mais carenciadas.
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as fotos foram feitas na Coopérative Al Amal (Amal = fé/esperança/sonho/desejo)
as mulheres acolheram-me com uma prontidão espontânea, onde a ausência de um mesmo idioma não nos atrapalhou a cooperação. uma das mulheres que falava francês, contava-me que as anciãs ficaram surpreendidas por eu ter apanhado a técnica à primeira pedrada. a velocidade é anos-luz incomparável mas ainda assim dei um simpático avanço e, por mim, teria ficado lá uns bons dias com elas, entre rugas e cumplicidades.
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o argan por Marrocos vende-se em praticamente todas as lojas, na rua, na beira da estrada. idealmente deve ser comprado o mais fresco possível e preservado ao abrigo da luz e do calor. para efeitos culinários, não é aconselhado para cozinhar a temperaturas e sim para tempero/uso em cru.
tem um sabor particular, quase que a azeitonas.
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após periodo de experimentação, partilharei receitas-resultantes, bem como mais informação sobre as suas propriedades medicinais.
isto se não terminar com o stock fazendo mais e mais amlou
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** To see them crushing the nuts and roasting them while singing and dancing as their mothers and their grandmothers used to do, one might not suspect that they are fully plugged into electronic commerce. ** [ https://www.idrc.ca/en/article/amal-hope-argan-oil-cooperative-changing-womens-lives ]

no corpo

Setembro 22, 2014 — Deixe um comentário

olhando para o caminho que vou percorrendo, nem sempre lhe encontro nexo.
sei que ele anda por aqui, e por mais vontade de descansar na confiança desta existência, muitas vezes a incapacidade de o reconhecer leva-me ao desalento.
a sentir-me perdida, desorientada, sozinha.

é bom saber que parar faz parte do caminho, é bom também ter ferramentas que nos ajudem a reconhecer a riqueza destes ciclos: parar, fluir, construir, destruir, renascer, acreditar.

sei que não sou só eu que tenho passado por fortes momentos de descrença, em mim e no ser humano em geral. de questionar propósitos pessoais, relacionais, existenciais. sou mestre a enrolar-me nas minhas próprias novelas, recambolescos filmes que passam na minha cabeça.
felizmente, algures no meio deste processo de crescimento, rendi-me ao processo de escutar o corpo. de ir aprendendo a abrandar a insana narrativa e confiar na realidade. recordar que o pensamento é virtual, toda a existência material é concreta: pernas, mãos, barriga, acção, quietude, dor, prazer, ritmo, pulsar, …

partilho umas fotos ( também editadas em ‘versão tablete’ ) de uma das minhas práticas favoritas para esta reconexão ao corpo, ao sentir, ao real. uma prática que me liga ao meu centro, e daí ao que sinto ser o Centro. que me liga à unidade, a confiança, à alegria de estar viva e na Vida. que me ensina a render-me, a entregar-me na presença, no sentir. cada vez um pedacinho mais.
recordo com um largo sorriso um raio de iluminação que me invadiu todas as células, num sentir extático, no pico de uma dança: * uau, que simples! eu sou perfeita a ser eu mesma! * e, ao escutar esta tradução corpo-palavras, a cabeça apressou-se a responder-me: * merda, mas eu não sei quem sou.. e para ampliar o desafio estou em constante mudança.*
e está tudo bem não saber, e confiar e avançar. Usar as sensações como referência, explorar as emoções. é um treino, um campo seguro para experimentar, para me entregar ao sentir por completo. e a escutar, a criar espaço para receber inspiração.
isto é parte do que esta prática é para mim: agora. o que será que a ti te poderá trazer?

abaixo um texto sobre a prática de dança que me apaixona: 5 Ritmos (www.5rhythms.com).
por aqui por Portugal a prática é bi-semanal, em Lisboa e Sintra. mais info aqui: 5 Ritmos de Mudança.

( agradeço à Mariona querer ser fotografada e, assim, rever-se a beleza que emana quando baila. )

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Dançar os 5Ritmos é uma prática dinâmica que concilia, na mesma respiração, o trabalho físico e meditativo. Os Ritmos ensinam-nos que a vida é energia em movimento, permitindo que nos libertemos de ideias estagnadas sobre pessoas, lugares, objectos ou conceitos.

Diz-se que uma fotografia diz mais que mil palavras. Uma dança profunda comunica mais que um milhão. Ao dançar os 5 Ritmos descobres uma linguagem de movimento livre, enraizada em renovadas e inesperadas formas de te moveres: um vocabulário visceral e altamente pessoal.

Ao dançar os 5 Ritmos podes reconectar-te a percepções e memórias; formas e gestos; sintonizar-te com o instinto e intuição. Trazem até ti sugestões de como expressares criativamente agressividade e vulnerabilidade, emoções e ansiedades, limites e efusões. Reconectam-nos aos ciclos de nascimento, morte e renovação, ao espírito de todas as coisas viventes. Trazem-nos de volta à sabedoria dos nossos corpos, despertando o poder curativo do movimento.

Ao dançar os 5 Ritmos o corpo torna-se o nosso caminho espiritual.
http://www.5rhythms.com

 

Ao dançar os 5 Ritmos o corpo torna-se o nosso caminho espiritual.

como me hice, no volvería a hacerme. tal vez volvería a hacerme como me deshago. *
antonio porchia

a pausa veraneia de conteúdos justifica-se mais pelo súbito desaparecimento de ferramentas de trabalho do que pelo sazonal aproveitamento do calor da época.
têm sido longas as noites sem dormir, rápidos os dias de afazeres. em poucos meses a vida segue parecendo que me atravessa por anos.

partilho algumas fotos, que germinam a imensa vontade de recriar-me na expressão de uma criatividade que late. ainda não sei como a commemorare ressuscitará. talvez, como diz o poeta acima, à boleia de alguma inspiração do como a isabel se desfaz.

( fotos editadas em modo * magic portable paraphernalia *, espremendo a flexibilidade e paciência, agradecendo a versatilidade das modernices )

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há uns anos atrás, a minha vida fazia-se estrada afora. a casa tinha rodas, e o destino ia-se descobrindo à medida da viagem.
um dos locais onde permanecemos por algum tempo foi num centro de meditação Vipassana, servindo e colaborando em diferentes tarefas necessárias.

sendo a alimentação uma das especiais paixões, as partilhas sobre cozinha e saúde ocorriam com espontaneidade entre carrinhos de mão, tesouras de podar e pedras de calçada. mais do que curiosidade, as dicas de cozinha geraram um pedido: que eu agarrasse as rédeas da cozinha, preparando para todos receitas que os ajudassem a equilibrar os menus já existentes – especialmente equilibrando a quantidade de açúcar e condimentos. um requisito era ensinar-lhes a usar ingredientes que lhes haviam oferecido e não sabiam como confeccionar, e optimiza-los com produtos que recebiam em maior escala de fornecedores locais e parceiros.
juntei as receitas que mais sucesso tiveram e deixei-lhes um pequeno documento para que as pudessem replicar com facilidade. e seguimos viagem.

já passaram mais de 5 anos desde que lá estivemos. tudo o que por lá partilhamos e recebemos foi-se integrando em quem somos, como as demais experiências de uma viagem tão rica – algumas resultantes em relações activas, outras adormecidas. não voltamos a ter contacto com os responsáveis do centro, nem por lá voltamos a passar.
passados estes anos, o José voltou a um centro Vipassana para um retiro – mais 10 dias de prática.
e, à mesa, encontrou algumas das receitas que tão bem conhece. receitas que em casa fazíamos, receitas que com eles partilhámos.
a semente germinou, contagiou outros centros, chegou aos pratos de centenas de pessoas.

que rico sorriso esta notícia me trouxe. senti-me contagiada pela honra de poder servir, e por sentir que a dádiva teve impacto e que a intenção deu frutos.
e apeteceu-me partilhar então as receitas que por lá deixei, para quem por aqui passar. dhamma ocooking
com o mesmo carinho que as dediquei naquele momento:

Antes de empezar a cocinar, acuérdate que es con la comida que tenemos una de las relaciones mas intimas de nuestras vidas.
Ella se transmutará en nuestro sangre y por eso es bueno pensar con que cualidad energética nos queremos rellenar, y a los demás para quien estamos cocinando.

 

 

[ para mais receitas, em livros coleccionáveis: aqui > commemorare de boca cheia. ]

. chegando .

Julho 4, 2014 — Deixe um comentário

de onde nunca se sai:
* cuando miras a los ojos y dejas entrar al otro en ti y tú entras en el otro y te haces uno.
esa relación de amor es para siempre, ahí no hay hastío. *
abuela margarita 

que a alegria de nos sabermos e sentirmos vivos nos recorde o imenso potencial de criar beleza e commemorare : )


( gracias Ramon por las fotos, gracias abuela por ti )

cacau faz delícias em qualquer local :)
clicar aqui para mais info sobre receitas

 

abençoada por ter clientes assim!

A Sexta de Bicicleta de Míriam Bettencourt (in P3)

Não abdica da bicicleta nas deslocações para o trabalho — e nem os saltos altos a impedem de pedalar. Míriam Bettencourt enfrenta as subidas de Lisboa enquanto canta e passa pelos carros.
http://p3.publico.pt/vicios/em-transito/10759/sexta-de-bicicleta-de-miriam-bettencourt

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nem sempre a ajuda mais necessária é visível e palpável.
após o tsunami do Japão, tive o previlégio de acompanhar a equipe da Fortunate Blessings Foundation para dar formação aos voluntários que acompanham crianças e famílias vítimas de incalculáveis perdas, oferecendo-lhes ferramentas de trabalho somático para desbloqueio de traumas.
para quem não viu as fotos, recordo-as aqui ^

neste momento a equipe está nas Filipinas, nas zonas afectadas pelo tufão Haiyan. mais uma vez, nem sempre a ajuda mais necessária é visível e palpável e, nem por isso, menos urgente.

post Via Flickr:
@ Japan with FBF Trauma Team
www.fortunateblessings.org

raízes

Novembro 21, 2013 — 1 Comentário

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por mais voos que dê, de quando em quando urge-me a necessidade de regressar às raízes.
não sei explicar onde elas estão, suponho que talvez nos abraços das gentes com quem cresci, na terra que acolhe os que me deram luz.
ou quem sabe seja também um conceito de interioridade: permitimos-nos estar em contacto com as nossas raízes em resposta a estímulos que determinadas relações nos inspiram – relações com locais, gentes, emoções, estados de espírito.

uma curta viagem rumo ao norte permitiu-me desfrutar de re-ligações das quais sentia saudades, em tempo em que as folhas dançam também o seu movimento até à terra. visitar locais cheios de memórias, caminhos, pedras, edifícios que me falam em dialectos que só eu posso decifrar. que falam a cada um que por eles passa se estivermos dispostos a escuta-los. oiço tocar os sinos da igreja, abrem-se portas de capelas privadas, corações e pedras serpenteiam o caminho, sou acolhida em casa onde bate a chuva nos vidros, se assam castanhas, partilha-se à mesa conversas que se prolongam, e mimos que se arrastam.

e sinto também a minha realidade de sentir que casa é, para lá de um espaço geográfico, onde nos permitimos aterrar inteiros, habitando-nos. onde deixamos cair máscaras e papéis – há abraços que são casa, músicas, cheiros, espaços, estradas, tendas, bancos de jardim. habitar-me com esta presença traz-me a possibilidade de dar e receber mais, e de reconhecer o que cada um destes espaços me traz, o que me faz sentir e como me inspira: casa-raíz, casa-voo, casa-semente, casa-tronco, casa-ninho, casa-voo, casa-trampolim, …

as raízes das palavras também me intrigam. fazer casa, assim em inteireza, é possível em tantos momentos: casar.
como diz o querido emídio, casamento há só um: é comigo. e desta relação de inteireza posso construir relações mais inteiras com outros, ir criando casas; ir-mos-nos casando.
sou poli-casada. uau. que luxo.

nascida e crescida em família brasucotransmontana que nos anos do meu nascimento se rendeu à magia de Sintra, creio que só agora esgoto o número de dedos do meu corpo para contar o número de vezes que rumei em direção ao veraneante sul!
mais uma vez confirmo que adoro a nossa costa alentejana, vicentina, semi-algarvia, e guardo com especial carinho mais alguns recantos descobertos no nosso pequenito país – temperados com um calor mais seco e águas menos onduladas.

ficam algumas fotografias que, agradecida, adiciono aos álbuns das minhas memórias.
a cerimonial Praia da Ponta Ruiva – Sagres.

na Quinta do Vale da Lama, onde o despertutor foi convidado a partilhar a sua sabedoria em gestão de projectos, dragon-dreaming e transição interior.
estivemos por lá em dias de tremendo calor e uma vaga de mosquitos. cada fotografia, em linguagem de câmbio mosquitense, equivale a uma média de duas novas mordidas.

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a bem encoberta Praia da Murração, a deliciosa Praia dos Barrancos, e um regresso via Tróia-mata-saudades-de-família-que-emigra.

remate final com lânguidas e prolongadas demolhas na Barragem de Póvoa e Meadas, embalados pelas danças do Andanças.

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amanhã, reinicia-se a época das mágicas sessões.
bom fim-de-semana, bom regresso de férias, boas memórias, boas commemorações : )

por magia, pelo mistério das com~incidências, porque ainda há quem acredite em milagres, e porque assim se quis que assim fosse…
há umas semanas atrás, ainda em dias frios e com especial companhia, descobri este local: zugarramurdi.

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localizado no país basco, entre gloriosas montanhas, desta localidade conta a história que foi um dos principais locais de actividade ‘brujeril’.
o que a torna mais conhecida e visitadas são as magníficas covas Sorginen Leizea (nome basco que significa cova das bruxas), escavadas pelo fluxo da água ainda corrente – a regata do inferno, e onde a cavidade maior conta com aproximadamente 120 metros de comprimentos e 12 de altura.
a cavidade maior é também chamada de palco do inferno e foi rica de inúmeros rituais, celebrações e práticas de medicina natural pagã, profundamente enraizados na cultura local.
esta zona foi também berço dos rituais chamados de aquelares ou sabbats, onde as bruxas se juntavam e celebravam as suas capacidades de viajar entre mundos, os polémicos pactos com o diabo.

com a invasão do domínio eclesiástico, este local foi marcado por massacres que visavam controlar o poder e exterminar o paganismo, criando uma onda de pânico por uma inquisição que necessitava de impor a sua autoridade.

zugarramurdi é epicentro desta informação, com um museu dedicado a contar a história das suas gentes e das provações por que passaram. são celebradas todos os anos festividades em louvor à história e valor que recuperaram, sem o folclore associado a uma fantasia de bruxas. louvando a sabedoria de uma cultura e práticas ancestrais, que ainda pulsam as suas verdades.
(zugarramurdi é alvo de destaque no documentário bloody tales of europe, da national geographic.)

para além da história, é um local de uma beleza e energia incríveis.
seja qual for a versão da história que escolhamos apadrinhar, a dos oprimidos ou opressores, haverá a sabedoria da natureza, do local, das células de vida que em todos pulsa (onde homem e natureza somos um) que transpirará a verdade que nos faz sentido trazer à nossa vida.
para mim, para além do deslumbre da visita, esta passagem trouxe-me fagulhas para a celebração do nosso potencial, inerente a cada expressão de vida, da nossa capacidade de conexão, do potencial da celebração em irmandade. mais do que uma cova, este espaço apresentou-se-me como uma passagem, um caminho que podemos sempre percorrer marcado pela escolha da margem que queremos habitar, o caminho do abraçar a sombra e a luz, dor e prazer.

talvez para a próxima me dedique menos a estes sentires e mais a fotografar…
bem hajas Amala por me fazeres levar a máquina na mágica caminhada que nos levou até lá!
o país basco não pára de me surpreender…

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juntos, ao centro

Abril 2, 2013 — 1 Comentário


e
sta quadra festiva foi desfrutada bem ao centro do país, junto a Vila de Rei – o centro geodésico de Portugal.
a chuva brindou-nos com a possibilidade de alguns passeios, permitindo-nos caminhar ao longo do chamado ”o mais profundo vale”.
água com fartura, árvores em potência, verde a perder de vista.

foram uns dias muito bem passados, onde os ausentes fizeram-se sentir na curiosidade do que poderiam fazer presente, no desejo de que uma próxima reunião os contenha também.

recuperados alguns jogos de infâncias anteriores, descobrimos em desenhos antigos oportunidades de largas gargalhadas. quem se lembra do Pictionary? lá em casa era Dicciopinta (no que parece ser uma versão brasileira) que patrocinou, pela sua peculiar escolha de palavras, ainda mais momentos non-sense. vivam as aves e as avés, os despidos e os amores.
em rabiscos, teatros, palavras inventadas, iguarias de mastigar, néctares com e sem borbulhas, foram dias inesquecíveis.

[ para a família, a galeria completa segue-se através deste link: PASCOA 2013. ]

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sempre fui particularmente sensível ao sentido de família, de comunidade, de grupo, (ou tribo, ou clã, ou alcateia, matilha … uma mistura de comunhão e construção conjunta ) e momentos como este trazem-me inspiração para os tornar mais recorrentes no quotidiano.
às vezes é possível sentir-me assim em encontros espontâneos, não necessariamente longos. descobri que a base do que me faz sentir em profunda comunhão é a minha vontade de aceitar e criar. e às vezes consigo, outras vezes não.

estas fotos são de outra família, com quem também tive o privilégio de passar uns belos dias há umas semanas atrás.
é o extraordinário grupo de alunos da primeira edição do Curso de Transição Interior, orientado pelo José Soutelinho (também conhecido por despertutor).

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sou largamente abençoada pela enorme família que tenho, de sangue e de coração – ambas espalhadas pelos quatro cantos do mundo.
já havia partilhado esta frase no facebook, chegada assim mesmo do Japão, e que me permitiu, mais uma vez, conectar com o sentir poderoso das memórias bem guardadas: * a saudade existe não porque estamos longe, mas porque um dia estivemos juntos. *

bons e frutuosos ajuntamentos!

lá fora, cá dentro

Março 12, 2013 — 1 Comentário

enquanto a vida nos leva por espiral misteriosas, há momentos que palavras não chegam para descrever.
deixo-vos imagens da face visível de uma viagem a cuja riqueza não lhe apontei a lente, e de uma iluminada construção que me deu muito gozo oferecer.

a dinâmica da espiral é imparável. que encontrem deleite em cada voltinha!
às vezes temos que mudar de lente para nos apercebermos que ele, o deleite, está lá.

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[ SO GO ON ]

aos poucos os aviões aterram, e as memórias embalam-se.
nos últimos meses passados em continente americano, imersa no deslumbre dos eventos em acção, o uso da máquina fotográfica foi bastante irregular: quase em jeito de “vá-lá, congela para a posteridade – bem sabes que vale a pena”. cá está o resultado das capturas, sem caras das gentes lindas que nem me recordei de pedir autorizações.
quem quiser vir comigo, escolha o adequado terminal de viagem, ‘clicando’ na foto para aceder à galeria).

as duas primeiras semanas em esalen, em modo 5 ritmos de manhã à noite:

esalen é um centro de formação que celebra este ano os seus 50 anos de actividade, na vanguarda do movimento de consciência e espiritualidade – sobretudo na sua relação com o corpo e movimento. é um local paradisíaco, sobre o pacífico, junto à famosa estrada N1 que liga são francisco a los angeles.
o edifício na foto é o escritório-recepção, ponto de acolhimento. na mais bela e desfrutada zona dos hot-tubs, mesmo sobre o mar, não é permitido o uso de câmeras fotográficas, preservando a privacidade e há-vontade de cada despido utilizador.
nesta galeria encontram também fotos de monterey (a cidade mais próxima) onde passei o fim-de-semana entre formações.

os dias que se seguiram mostram-se em fotografias de  são francisco e marin county.

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são francisco é a cidade mais colorida e mais espontaneamente acolhedora. marin county é o ‘distrito’ do outro lado da golden gate – diz-se ser a zona mais rica e abastada dos estados unidos. sausalito virou primeira casa, mill valley segunda.
nesta galeria encontram fotografias de harbin, outro momento 5 ritmos, e de tamalpa – onde tive o previlegio de estar com daria e anna halprin em profundas investigações da ligação da expressão artística narrativa, do movimento e da relação entre estas expressões e os corpos que habitamos, especial foco na relação entre o físico e emocional.

um salto ao colorado, no interior dos estados unidos, permitiu alguns passeios em zonas desertas de estâncias de ski e trouxe um breve mergulho de uma manhã em boulder – protegida pelas grandes montanhas rocky mountains.

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respingos de nova iorque patrocinam viagens mais baratas, mais umas aulas de ritmos e abraços saudosos a amigos lá longe.


e
m direcção ao ponto de partida, momento para aterrar nas terras baixas da europa – invadidas por chuva e um frenesim turístico nas ruas de amsterdão. o jet-lag acentua-me um cansaço hiper-sensível e fez difícil o entrar na onda de quem por lá não-nada.

amsterdas

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sem mala de viagem, com mochila de fotografar, cá vos espero se memórias quiserem comigo congelar : ) até já!

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[ se acederem às galerias do flickr podem ver todas as fotografias de forma sequencial, das mais recentes às mais antigas:
– descendo a página, abaixo da 5ª foto tem hipótese de escolher ir navegando para as páginas antecedentes;
– usando a opção de slideshow, onde automaticamente as fotografias são apresentadas em sequência;
– escolhendo o album (set) que quer explorar, os mais recentes listados do lado direito da página e em index aqui. ]

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