da garra brota beleza

Dezembro 28, 2014 — 2 comentários

retirando o pó à beleza que deixei em suspenso, apanho-me emocionada ao encontrar os tesouros que esperam por mim.
sou viciada no belo, em descobrir onde ele parece se esconder quando teimamos não o querer ver.

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esta mulher não é apenas linda. é uma Mulher cheia de garra, e acredito que é mesmo daqui que brota a sua beleza.

seja assumidamente contagiante a garra e a beleza que todos temos, que irrompem de dentro e se reconhecem fora.
que ora nos enchem sorrisos ora se vertem em lágrimas.
que ❨me/nos❩ inspirem a dar forma, corpo e expressão ao que ❨me/nos❩ anima.

{ para marcar uma sessão fotográfica envie-me um e-mail }

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tempo de sinos

Dezembro 20, 2014 — Deixe um comentário

uma ode à escuta. para que seja fértil a palavra que nasce.

* boas festas *

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que os sinos que nos chamam à união nunca deixem de ecoar.
que mantenhamos a capacidade de escutar, e vontade de os seguir.
*
may the bells that call us to gather ever keep on ringing.
may we keep the ability to listen and the will to follow them.

@bellsandsprings

aqui está a lista, tamanhos e valores, das iguarias mais solicitadas para esta temporada:
cozinare & commemorare (clicar no link para aceder ao ficheiro em .pdf)

para encomendas, enviar um e-mail indicando quais os produtos desejados (tamanho e quantidade), contacto telefónico e a data em que os desejam levantar. aguardem um email de confirmação.
bons apetites!

cocināre

Dezembro 12, 2014 — 3 comentários

vai ganhando mais força a proposta commemorare em torno da cozinha, uma proposta que – como os livrinhos editados o promovem – assenta na intenção de cozinhar mais saúde.

agora existe um espaço físico (que já aqui referi várias vezes) que suporta esta criação:
o Bells&Springs é mais que um estúdio de pilates: é um espaço dedicado ao corpo em funcionamento no seu máximo potencial, fazendo uso de cada modalidade – praticada e ensinada – para ajudar cada corpo a ultrapassar os seus desafios.

será que não se nota como é que isto encaixa na mouche com esta visão da alimentação?!
** cozinhar mais saúde & funcionamento do corpo ao máximo potencial **

estarei por aqui concebendo e cozinhando receitas que possam suportar escolhas de quem quer ou precisa escolher mais com mais critérios como, e com o quê, se alimenta;
de quem quer ou precisa sentir o que é retirar do prato ingredientes que nos bloqueiam a absorção das milagrosas propriedades da comida-como-os-nossos-avós-a-conheceram: mais natural, mais orgânica, mais próxima da terra;
de quem quer ou precisa aprender a (re)introduzir ingredientes que optimizam energia pura, mantendo o nosso grau de disponibilidade energética mais estável.
ou… de quem quer apenas experimentar novos sabores e iguarias.
conta quem já experimentou que vale a pena o risco :)
e eu conto que adoro a adrenalina de criar nutrição assim: bem acompanhada.

seguem fotos de algumas das novas criações, e o link para visualização do catálogo completo: cozinare & commemorare
aceitam-se encomendas para as festividades onde desejem que as iguarias actuem. (contactem-me por e-mail indicando quantidades e dimensões dos produtos desejados, contacto telefónico e data de recolha. aguardar e-mail de confirmação)

aproveito para anunciar que às quintas-feiras (salvo imprevistos) estou a preparar almoço completo (sopa, prato, sobremesa).
as refeições são maioritariamente vegetarianas, com inspiração macrobiótica e pinceladas de crudívora, adaptadas à estação do ano e disponibilidade local. os produtos são preferencialmente de origem biológica.
ingredientes que não vão encontrar: lácteos, ovos, açúcar, carne, ogm.

é necessário reserva até às 9h (manhã) de quarta-feira, e os lugares são limitados. reservas por e-mail, indicando a hora a que desejam comer e aguardando uma resposta de confirmação.( take-away também disponível )
caso tenham alguma restrição mais específica indiquem no e-mail de reserva.

que eu possa ter o prazer de vos ver, prazerosamente, desfrutar destes mimos : )

helping a Portrait

Dezembro 8, 2014 — 1 Comentário

o Help Portrait entra na categoria de um dos meus favoritos rituais de Natal.
(sobre edição 2011, edição 2012, artigo em inglês na página oficial: giver/receiver.)

é o juntar de uma família ao redor de algo que valorizo imensamente, serviço à comunidade, conjugado com esta paixão pela fotografia. um dia de magia em dezembro, resultado de vários meses de preparação e articulação entre partes, em que voluntários e beneficiários se sentem ambos ganhadores!

já escrevi várias vezes sobre a honra de fazer parte desta equipa que me resta desta vez partilhar algumas das imagens que tive oportunidade de captar, nos bastidores do zunzum.

mais uma edição magistralmente coordenada: parabéns a toda a equipa com especial louvor ao visionário maestro Tarcício Pontes. e, com esta boa energia, o evento de 2015 já está a mexer :)

ps – nota para qualquer sensível à fotografia que por aqui ande, as fotos continuam todas as ser espremidíssimas num (milagreiro) iPad.

recordar e sonhar

Dezembro 1, 2014 — Deixe um comentário

o aparente silêncio que habita nas entrelinhas de uma imagem acorda a capacidade imaginativa de recordar o que já foi
e de sonhar o que há de vir.


entre as imagens que arrastava para posterior edição encontrei nestas duas, em ligação ao momento em que as fotografei, uma curiosa relação de passado e futuro. como se a composição que cada uma expressa activasse em mim o valor do que vivi e o desejo pelo que quero criar. eu sei que é apenas uma tarte de amêndoa e abóbora, e eu vejo família – a que foi e a que virá.

levantando o véu ao que está a surgir, as fotos e a tarte foram cozinhadas na Bells & Springs de onde mais propostas relacionadas com a paixão de cozinhar ganharão forma. o espaço físico é lindíssimo, e a expressão família pulsa na visão de um futuro que anima a responsabilidade de cuidar e empoderar o corpo como casa, que nos apoia a dar expressão aos nossos sonhos.
alimento e movimento estão aqui a dar as mãos. venham as bênçãos :)

no Atelier do Cardal, próximo dia 07 de Novembro, ocorrerá uma tertúlia que se quer animada também por ti :)

vou apresentar dois projectos bem queridos:
> descobrindo~nus – a beleza da matéria-corpo-nu;
de boca-cheia – os livrinhos de receitas para cozinhar mais saúde.

irei partilhar como é tão óbvia para mim a relação entre estas duas abordagens de relação com o corpo: na forma como o habitamos e nos empoderamos através das escolhas que fazemos; partilhar inspirações vividas ao longo do meu percurso que sinto terem contribuído para estas propostas ganharem forma; contar-vos algumas histórias que estas visões tocam/tocaram e, quem sabe, fazer-vos cúmplices da minha loucura.
benga, inscreve-te!!

mais info na página do evento no facebook.
data: 07 de Novembro, das 19h30 às 22h30
local: Atelier do Cardal – Rua Cardal de São José, 6A, 1150-Lisboa
participação: 4€
inscrições e informações: atelierdocardal@gmail.com ou 961406805 (Sandra)

outono ou outono

Outubro 9, 2014 — 1 Comentário

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chegou-me a força do outono e finalmente a louca vontade de hibernar, de ficar aninhada e bem caseira. dos chás com mel, do conforto do sofá, da música dengosa, e das partilhas ao som da chuva na janela, e do zumzum da cidade lá fora. uma parte de mim sente-se ainda em reconvalescença da agitação dos últimos meses, outra animada com a recuperação crescente.
o eclipse do computador e das memórias digitais fez-me reconectar com o prazer da matérias nas mãos, dos papéis, das tintas, dos desenhos, de criar ‘mais casa’ nos locais onde habito, … fez-me também voltar a questionar o que quero, posso e sei criar com as ferramentas que possuo – tangíveis e intangíveis –, e sentir o magnetismo perigoso do medo de não emergir dos momentos em que vou abaixo.

estou muito grata pelos amigos que tenho e que me ajudam a reconectar e recordar o meu centro e poder. vai pelo menos uma linha dedicada a estes imensamente valiosos tesouros!
>

quem assim me conhece sabe que é nas relações que mais me realizo.
operativamente, a fotografia é uma das paixões que me dá a oportunidade de juntar ‘relação’ com a paixão pela beleza.
nos cartões da máquina fotográfica moram várias sessões para encaminhar para os respectivos fotografados, e na ponta dos meus dedos o irrequieto bicho de seguir criando os contextos onde cada fotografado se reveja na beleza que emana. uma das isabeis que sou tem o desejo de fotografar todas as pessoas com quem se cruza, de modo a que todas possam ver o quão belas são! é um privilégio poder ter esta visão e um tão gratificante desafio acompanhar os outros a confiarem e irradiarem essa sua única e inigualável expressão de beleza.

da paixão da cozinha partilho umas fotos também não editadas das receitas que saíram nesta edição da revista comer.
receitas bem outonais e que convidam a experimentar deliciosas alternativas à carne (o tema desta revista…):
~ creme de lentilhas com chá e molho de iogurte;
~ tempeh com mel em manteiga de cebola.
encontrem-na nas bancas e aventurem-se ao deleite!

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que a vida me siga regalando oportunidades de viver apaixonada, e que as saiba usar com beleza criativa em todas as relações que estabeleço. que siga disponível para ser inspirada, e continuar a aprender. e que me aceite também como inspiradora, disponível para partilhar do que sei.

no corpo

Setembro 22, 2014 — Deixe um comentário

olhando para o caminho que vou percorrendo, nem sempre lhe encontro nexo.
sei que ele anda por aqui, e por mais vontade de descansar na confiança desta existência, muitas vezes a incapacidade de o reconhecer leva-me ao desalento.
a sentir-me perdida, desorientada, sozinha.

é bom saber que parar faz parte do caminho, é bom também ter ferramentas que nos ajudem a reconhecer a riqueza destes ciclos: parar, fluir, construir, destruir, renascer, acreditar.

sei que não sou só eu que tenho passado por fortes momentos de descrença, em mim e no ser humano em geral. de questionar propósitos pessoais, relacionais, existenciais. sou mestre a enrolar-me nas minhas próprias novelas, recambolescos filmes que passam na minha cabeça.
felizmente, algures no meio deste processo de crescimento, rendi-me ao processo de escutar o corpo. de ir aprendendo a abrandar a insana narrativa e confiar na realidade. recordar que o pensamento é virtual, toda a existência material é concreta: pernas, mãos, barriga, acção, quietude, dor, prazer, ritmo, pulsar, …

partilho umas fotos ( também editadas em ‘versão tablete’ ) de uma das minhas práticas favoritas para esta reconexão ao corpo, ao sentir, ao real. uma prática que me liga ao meu centro, e daí ao que sinto ser o Centro. que me liga à unidade, a confiança, à alegria de estar viva e na Vida. que me ensina a render-me, a entregar-me na presença, no sentir. cada vez um pedacinho mais.
recordo com um largo sorriso um raio de iluminação que me invadiu todas as células, num sentir extático, no pico de uma dança: * uau, que simples! eu sou perfeita a ser eu mesma! * e, ao escutar esta tradução corpo-palavras, a cabeça apressou-se a responder-me: * merda, mas eu não sei quem sou.. e para ampliar o desafio estou em constante mudança.*
e está tudo bem não saber, e confiar e avançar. Usar as sensações como referência, explorar as emoções. é um treino, um campo seguro para experimentar, para me entregar ao sentir por completo. e a escutar, a criar espaço para receber inspiração.
isto é parte do que esta prática é para mim: agora. o que será que a ti te poderá trazer?

abaixo um texto sobre a prática de dança que me apaixona: 5 Ritmos (www.5rhythms.com).
por aqui por Portugal a prática é bi-semanal, em Lisboa e Sintra. mais info aqui: 5 Ritmos de Mudança.

( agradeço à Mariona querer ser fotografada e, assim, rever-se a beleza que emana quando baila. )

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Dançar os 5Ritmos é uma prática dinâmica que concilia, na mesma respiração, o trabalho físico e meditativo. Os Ritmos ensinam-nos que a vida é energia em movimento, permitindo que nos libertemos de ideias estagnadas sobre pessoas, lugares, objectos ou conceitos.

Diz-se que uma fotografia diz mais que mil palavras. Uma dança profunda comunica mais que um milhão. Ao dançar os 5 Ritmos descobres uma linguagem de movimento livre, enraizada em renovadas e inesperadas formas de te moveres: um vocabulário visceral e altamente pessoal.

Ao dançar os 5 Ritmos podes reconectar-te a percepções e memórias; formas e gestos; sintonizar-te com o instinto e intuição. Trazem até ti sugestões de como expressares criativamente agressividade e vulnerabilidade, emoções e ansiedades, limites e efusões. Reconectam-nos aos ciclos de nascimento, morte e renovação, ao espírito de todas as coisas viventes. Trazem-nos de volta à sabedoria dos nossos corpos, despertando o poder curativo do movimento.

Ao dançar os 5 Ritmos o corpo torna-se o nosso caminho espiritual.
http://www.5rhythms.com

 

Ao dançar os 5 Ritmos o corpo torna-se o nosso caminho espiritual.

como me hice, no volvería a hacerme. tal vez volvería a hacerme como me deshago. *
antonio porchia

a pausa veraneia de conteúdos justifica-se mais pelo súbito desaparecimento de ferramentas de trabalho do que pelo sazonal aproveitamento do calor da época.
têm sido longas as noites sem dormir, rápidos os dias de afazeres. em poucos meses a vida segue parecendo que me atravessa por anos.

partilho algumas fotos, que germinam a imensa vontade de recriar-me na expressão de uma criatividade que late. ainda não sei como a commemorare ressuscitará. talvez, como diz o poeta acima, à boleia de alguma inspiração do como a isabel se desfaz.

( fotos editadas em modo * magic portable paraphernalia *, espremendo a flexibilidade e paciência, agradecendo a versatilidade das modernices )

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~ all you need is love, and the mastery of time ~

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* que quando as palavras não nos bastam, possamos usar outras linguagens que sublinhem o mais nos importa. *

 

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conheço aquela nariguda ^ de algum lado …

uma parceira com a revista comer (edição nº13 – Julho/Agosto)
metam o nariz e descubram as receitas partilhadas :)

película

Julho 11, 2014 — Deixe um comentário

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regressando aos tempos da faculdade, pela mão do avô, com a pentax de outros tempos.
adoro o grão das fotos, e esta relação mais real do mistério da revelação.
adivinha-se um verão com muita película!

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[ para quem quer recuperar a mágica aprendizagem da arte da fotografia, da relação da luz, do tempo, da exposição, dos líquidos, dos papéis, da luz vermelha e do cheiro inconfundível de uma sala de revelação, recomendo: NAF –  http://www.nucleoartefotografica.com ]

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há uns anos atrás, a minha vida fazia-se estrada afora. a casa tinha rodas, e o destino ia-se descobrindo à medida da viagem.
um dos locais onde permanecemos por algum tempo foi num centro de meditação Vipassana, servindo e colaborando em diferentes tarefas necessárias.

sendo a alimentação uma das especiais paixões, as partilhas sobre cozinha e saúde ocorriam com espontaneidade entre carrinhos de mão, tesouras de podar e pedras de calçada. mais do que curiosidade, as dicas de cozinha geraram um pedido: que eu agarrasse as rédeas da cozinha, preparando para todos receitas que os ajudassem a equilibrar os menus já existentes – especialmente equilibrando a quantidade de açúcar e condimentos. um requisito era ensinar-lhes a usar ingredientes que lhes haviam oferecido e não sabiam como confeccionar, e optimiza-los com produtos que recebiam em maior escala de fornecedores locais e parceiros.
juntei as receitas que mais sucesso tiveram e deixei-lhes um pequeno documento para que as pudessem replicar com facilidade. e seguimos viagem.

já passaram mais de 5 anos desde que lá estivemos. tudo o que por lá partilhamos e recebemos foi-se integrando em quem somos, como as demais experiências de uma viagem tão rica – algumas resultantes em relações activas, outras adormecidas. não voltamos a ter contacto com os responsáveis do centro, nem por lá voltamos a passar.
passados estes anos, o José voltou a um centro Vipassana para um retiro – mais 10 dias de prática.
e, à mesa, encontrou algumas das receitas que tão bem conhece. receitas que em casa fazíamos, receitas que com eles partilhámos.
a semente germinou, contagiou outros centros, chegou aos pratos de centenas de pessoas.

que rico sorriso esta notícia me trouxe. senti-me contagiada pela honra de poder servir, e por sentir que a dádiva teve impacto e que a intenção deu frutos.
e apeteceu-me partilhar então as receitas que por lá deixei, para quem por aqui passar. dhamma ocooking
com o mesmo carinho que as dediquei naquele momento:

Antes de empezar a cocinar, acuérdate que es con la comida que tenemos una de las relaciones mas intimas de nuestras vidas.
Ella se transmutará en nuestro sangre y por eso es bueno pensar con que cualidad energética nos queremos rellenar, y a los demás para quien estamos cocinando.

 

 

[ para mais receitas, em livros coleccionáveis: aqui > commemorare de boca cheia. ]

. chegando .

Julho 4, 2014 — Deixe um comentário

de onde nunca se sai:
* cuando miras a los ojos y dejas entrar al otro en ti y tú entras en el otro y te haces uno.
esa relación de amor es para siempre, ahí no hay hastío. *
abuela margarita 

que a alegria de nos sabermos e sentirmos vivos nos recorde o imenso potencial de criar beleza e commemorare : )


( gracias Ramon por las fotos, gracias abuela por ti )

cacau faz delícias em qualquer local :)
clicar aqui para mais info sobre receitas

~ fluidos ~

Maio 26, 2014 — Deixe um comentário

 

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tenho tido dificuldades em compatibilizar a celebração da vida, nos seus altos e baixos, com a produção de conteúdos partilháveis.

esta foto é-me muito especial. quem me conhece sabe o quanto amo captar o orgânico, com todos os fluidos, sons, cheiros, … associados.
esta é a impressão do sangue derramado no nascimento de um bebé, da magia de dar à luz no escurinho e conforto do ninho.
tenho que admitir que, para além do escuro, focar entre lágrimas de emoção é um desafio.

vida, bem hajas por estas oportunidades intensas de me render ao teu pulsar, tão autónomo a qualquer capricho.
se alguém estranha aqui o meu silêncio, é isto: tenho andado ocupada com os fluídos orgânicos.

Minha mamãe morreu.
Desapareceu fisicamente, desapareceram as oportunidades partilharmos abraços, de criarmos juntas momentos em que celebramos a natureza desta relação tão íntima.

E se desapareceu o seu corpo, que memórias e oportunidades se mantêm vivas em mim que me ajudam a celebrar o que dela não desaparece?
A que aprendizagens, relações, emoções posso recorrer para celebrar quem me fez ser mulher?
Na passada semana mamãe faria 74 anos.
Fomos quatro as irmãs Marias que atravessamos os mil desafios horários para nos juntarmos. Nem que fosse para um só abraço: a possibilidade de estarmos fisicamente presente, de honrarmos o termos corpos, ampliarmos os sentidos que nos reconhecem.
Valorizarmos as camadas de informação que nos atravessam.
Sabermos, celularmente, que estamos aqui.

Sabemos bem as quatro o que é não poder estar juntas. O que é não ter por perto, fisicamente, quem amamos.
Sim, é possível viver docemente nesta ausência. Eu sinto que passa pela tranquilidade de aceitar que vivemos a intensidade de cada momento dando o melhor que sabemos, sendo quem melhor podemos ser.

Agora, para mim que não tenho a escolha da presença com tantos dos que amo, quero seguir a aprendizagem de agradecer, celebrar e comemorar a possibilidade de ter este corpo-vida e, com ele, desfrutar de quem está, de quem quer estar.
Criando novos momentos, honrando e criando novas memórias.

Se podes, celebra o poder celebrar.

 

 
Esta era uma das orações que ela mais vezes partilhou comigo nos anos que antecederam a sua doença. Hoje a “aleatória” selecção de música escolheu que a escutasse como bom dia:

 

 

 

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Um fotógrafo é como um bacalhau, que produz um milhão de ovos para que um atinja a maturidade.  
George Bernard Shaw

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A photographer is like a cod, which produces a million eggs in order that one may reach maturity. 
George Bernard Shaw

beleza destapada

Abril 21, 2014 — 6 comentários

modela01depois de algumas ameaças, muita expectativa, e ainda com material por revelar, chego finalmente ao partilhar de um projecto que há muito me enche o coração.

entre sonhos e insónias nasceu em mim há quase dois anos a vontade de fotografar corpos na intimidade.
sem entender o propósito, forma ou contexto, a ideia foi-me acompanhando em diferentes vivências e transitando entre conceitos mais ou menos arrojados, sempre em torno da nudez: de como nos despimos física e emocionalmente.
pelo caminho, fui tendo a honra de partilhar e contagiar algumas pessoas que acolheram esta ideia com suficientes perguntas e respostas para pudesse chegar aqui, agora. que colaboraram comigo escutando-me, partilhando referências, experiências. que deram algo de si a esta visão:

o dar forma a um corpo expositivo, virtual e físico, que visa transmitir e inspirar a capacidade
de habitarmos mais autentica e inteiramente os nossos corpos, assumindo e comemorando a beleza que, também com ele, somos.

estou profundamente grata a cada uma destas dádivas, em especial por cada sessão mágica em que celebramos esta visão.
convido-vos a conhecerem esta intenção em criação: DESCOBRINDO-NUS, a beleza destapada


a
gradeço os vossos comentários, questões e inquietações ♥

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PS – dei uma nova arrumação aos links no topo da página, de uma forma que me parece mais intuitiva.
se não encontrarem algo que vos parece importante, PF avisem-me ;)

máscaras

Abril 15, 2014 — Deixe um comentário

Um só corpo fala mil e uma línguas.

Esta não foi uma programada sessão de fotos, foi um inesperado convite a brincadeiras de luzes e texturas.
A Casa das Máscaras propõe contextos de exploração por mundos que, num contexto de respeito, para além da descoberta e diversão podem também oferecer transcendência, cura e libertação.

A verdadeira sessão fotográfica ocorreu com outra câmera, eu esgueirei-me aqui e ali para brincar com a quase inexistente luz e os volumes, texturas e contrastes que se ampliaram.

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* todas as fotografias são memento mori. tirar uma fotografia é participar na mortalidade, vulnerabilidade, mutabilidade de outra pessoa (ou objecto). é precisamente ao fazer um corte e congelar um momento, todas as fotografias são testemunhas do implacável derreter do tempo. * Susan Sontag

.

esta inevitabilidade, a certeza de que tudo é impermanente, poderá inspirar-nos a saborear com mais devoção cada presente?
possa o passado nos inspirar a avançar, o derreter do tempo não só é implacável como imprevisível.

 .

all photographs are memento mori. to take a photograph is to participate in another person’s (or thing’s) mortality, vulnerability, mutability. precisely by slicing out this moment and freezing it, all photographs testify to time’s relentless melt. * Susan Sontag

top top comme-01-01* as nossas vidas alimentam a nossa arte tornando-a real e autêntica, e a nossa arte abre e espelha-nos imagens sobre quem temos sido, quem somos , e quem poderemos nos vir a tornar. à medida que encontramos integridade na maneira como damos forma aos nossos corpos, movimentos, imagens e sentimentos através da arte, com tempo e prática tornamos-nos mais capazes de criar relações mais criativas, connosco e com os outros * Daria Halprin

 

* our lives feed our art by making it real and authentic, and our art opens and reflects back to us images of who we have been, who we are, and who we might become. as we find integrity in the ways we shape our bodies, movements, images, and feeling through art, with time and practice we are able to shape more creative relationships with ourselves and others. * Daria Halprin

agendando as próximas e relembrando as últimas.


com ou sem certificações, fórmulas e/ou formatos socialmente sugeridos, que cada relação nos inspire a reconhecer o descarado do Amor :)
e que nos atrevamos a celebra-lo!

 

verbo descobrir

Fevereiro 14, 2014 — Deixe um comentário

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verbo
Palavra com a qual se afirma a existência de uma acção.

descobrir

verbo transitivo
1. Achar o ignorado, o desconhecido ou o oculto.
2. Fazer um descobrimento.
3. Chegar a conhecer.
4. Notar.

verbo transitivo e pronominal
5. Destapar.
6. Mostrar.
7. Manifestar; revelar.
8. Avistar; ver; alcançar com a vista.
9. Inventar.

verbo intransitivo
10. Aclarar, clarear a atmosfera; romper (o sol) as nuvens.

verbo pronominal
11. Tirar o chapéu (ou o que se tem na cabeça).
12. Cumprimentar (descobrindo-se).
13. Expor-se demasiado apresentando muito corpo (Esgrima).